COC - Centro Oncológico de Cuiabá (MT) — Prova 2020
Uma jovem de 20 anos cehga ao pronto-socorro para avaliação de um rash nos membros inferiores. Na semana anterior, apresentou epstaxe, com duração de 2 horas. No dia anterior, teve um 2º episódio de epistaxe e notou hematomas esparsos. Ao exame físico, foram encontrados equimoses e petéquias nos membros, VCN =89fL, leucócitos normais e plaquetas = 17.000/mL. Qual é o tratamento inicial indicado para o caso?
PTI grave com sangramento mucocutâneo e plaquetas <30.000/mL → Prednisona oral como tratamento inicial.
O caso descreve um quadro clássico de Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) com plaquetopenia grave (<30.000/mL) e sangramento mucocutâneo (epistaxe, equimoses, petéquias). Nesses casos, a primeira linha de tratamento são os corticosteroides, como a prednisona, para suprimir a resposta autoimune e aumentar a contagem de plaquetas.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição acelerada de plaquetas mediada por anticorpos e/ou linfócitos T, resultando em trombocitopenia isolada. É uma causa comum de sangramento mucocutâneo, como epistaxe, gengivorragia, petéquias e equimoses. A gravidade dos sintomas está diretamente relacionada ao grau da plaquetopenia. Em adultos, a PTI é frequentemente crônica e pode não ter um gatilho identificável. O diagnóstico é de exclusão, após afastar outras causas de trombocitopenia. O tratamento da PTI visa aumentar a contagem de plaquetas e prevenir sangramentos graves. A decisão de tratar e a escolha da terapia dependem da contagem de plaquetas e da presença de sangramento. Para pacientes com plaquetas <30.000/mL e/ou sangramento clinicamente significativo, a primeira linha de tratamento são os corticosteroides (ex: prednisona ou dexametasona), que agem suprimindo a resposta imune e diminuindo a destruição plaquetária. Em casos de sangramento grave ou risco de vida, a imunoglobulina intravenosa (IVIG) pode ser usada em conjunto com os corticosteroides para um efeito mais rápido. É fundamental que residentes e estudantes de medicina compreendam que a transfusão de plaquetas não é a terapia de primeira linha na PTI, sendo reservada para emergências com sangramento ativo e grave. A esplenectomia e os agonistas do receptor de trombopoetina (TPO-RA) são opções de segunda linha para pacientes refratários ou que não toleram os corticosteroides. O acompanhamento regular da contagem de plaquetas e a monitorização de sangramentos são essenciais no manejo desses pacientes.
O diagnóstico de PTI é de exclusão, baseado na presença de trombocitopenia isolada (<100.000/µL) na ausência de outras causas de plaquetopenia, como doenças sistêmicas, medicamentos ou infecções. O mielograma pode ser realizado para excluir outras patologias medulares.
A transfusão de plaquetas na PTI é geralmente reservada para sangramentos graves e com risco de vida (ex: hemorragia intracraniana), ou antes de procedimentos cirúrgicos de emergência, pois as plaquetas transfundidas são rapidamente destruídas. Não é a primeira linha de tratamento para aumentar a contagem plaquetária.
A PTI aguda geralmente se resolve espontaneamente em menos de 6 meses, sendo mais comum em crianças e frequentemente associada a infecções virais. A PTI crônica persiste por mais de 12 meses, é mais comum em adultos e pode necessitar de tratamentos de segunda linha, como esplenectomia ou agonistas do receptor de trombopoetina.
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