MedEvo Simulado — Prova 2026
Um menino de 4 anos é levado ao pronto-atendimento por sua mãe devido ao aparecimento súbito de "manchas roxas" nas pernas e tronco há 24 horas. A mãe relata que a criança teve um quadro de resfriado leve há cerca de duas semanas, que se resolveu espontaneamente. O paciente está em bom estado geral, ativo, corado e afebril. Ao exame físico, observam-se múltiplas petéquias e algumas equimoses em membros inferiores e dorso. Não há linfonodomegalias, nem hepatoesplenomegalia. Não há sangramento ativo em mucosas (oral ou nasal). Foram solicitados exames laboratoriais, cujos resultados estão dispostos na tabela abaixo: | Exame | Resultado | Valor de Referência | | :--- | :--- | :--- | | Hemoglobina | 12,5 g/dL | 11,5 - 13,5 g/dL | | Leucócitos | 7.400/mm³ | 5.000 - 12.000/mm³ | | Neutrófilos | 42% | 35 - 55% | | Linfócitos | 46% | 40 - 60% | | Plaquetas | 16.000/mm³ | 150.000 - 450.000/mm³ | Com base no quadro clínico e laboratorial, a conduta inicial mais adequada é:
PTI pediátrica (plaquetas > 10k + sem sangramento mucoso) → Observação + Restrição de impacto.
A PTI na infância é frequentemente autolimitada e pós-viral. Em casos de 'púrpura seca' com plaquetas acima de 10.000/mm³, a conduta expectante é preferível à intervenção farmacológica imediata.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é a causa mais comum de plaquetopenia isolada na infância, caracterizada pela destruição periférica de plaquetas mediada por autoanticorpos IgG, frequentemente após um quadro infeccioso viral. O diagnóstico é essencialmente de exclusão, baseando-se na história clínica, exame físico sem visceromegalias e hemograma mostrando apenas trombocitopenia. A fisiopatologia envolve o mimetismo molecular entre antígenos virais e glicoproteínas da membrana plaquetária. A maioria dos casos pediátricos apresenta curso agudo e resolução espontânea em semanas ou meses. As diretrizes atuais enfatizam o tratamento do paciente e não do número de plaquetas. Em crianças com 'púrpura seca' (apenas manifestações cutâneas) e contagens > 10.000-20.000/mm³, a observação clínica rigorosa e a educação dos pais sobre sinais de alerta são as condutas de primeira linha, evitando os efeitos colaterais de corticoides ou imunoglobulinas.
O mielograma não é obrigatório em casos típicos de PTI (plaquetopenia isolada, exame físico normal, história de infecção viral prévia). Deve ser solicitado se houver alterações em outras linhagens celulares (anemia, leucopenia), hepatoesplenomegalia, linfonodomegalias ou se o paciente não responder ao tratamento inicial, visando excluir leucemias ou falência medular.
A transfusão de plaquetas é raramente indicada na PTI, pois a destruição periférica mediada por anticorpos é rápida. Reserva-se para sangramentos graves com risco de vida (ex: intracraniano) ou hemorragia volumosa incontrolável, geralmente associada a imunoglobulina venosa e corticoides em altas doses.
A principal recomendação é a restrição de atividades físicas de contato ou impacto (futebol, artes marciais, ciclismo sem proteção) para minimizar o risco de traumas e hemorragias graves, como o hematoma subdural, enquanto a contagem de plaquetas estiver em níveis críticos.
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