HOA - Hospital Oftalmológico do Acre - Rio Branco — Prova 2020
Você atende no pronto-socorro um menino de 5 anos com petéquias e equimoses em tronco, abdome, membros inferiores e superiores há 1 dia, Antecedente de quadro gripal há 20 dias com melhora completa dos sintomas. Ao exame físico, você observa as referidas lesões e, na inspeção da cavidade oral, encontra petéquias em mucosa jugal e equimose de 0,7 cm de diâmetro em língua. Não havia alterações no restante do exame, nem sinais de sangramento em outros sítios. Foram coletados exames: Hemoglobina 12,1 g/dL, leucócitos de 9 500/mm³ com diferencial normal e plaquetas 17 000/mm³. Qual conduta mais adequada a ser tomada neste momento?
PTI aguda pós-viral com plaquetas <20.000 e sangramento mucoso → Imunoglobulina endovenosa ou corticoide.
O quadro clínico de petéquias e equimoses após um quadro viral, com plaquetopenia isolada e grave (<20.000/mm³), é altamente sugestivo de Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) aguda em crianças. A presença de sangramento mucoso (oral) indica maior risco e justifica tratamento com imunoglobulina endovenosa (IVIG) ou corticosteroides para elevar rapidamente a contagem de plaquetas e reduzir o risco de sangramentos graves.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição acelerada de plaquetas mediada por anticorpos, resultando em plaquetopenia. Em crianças, a PTI aguda é frequentemente precedida por uma infecção viral (geralmente 2 a 3 semanas antes) e tem um curso autolimitado na maioria dos casos. É a causa mais comum de plaquetopenia isolada em crianças saudáveis. O diagnóstico da PTI é de exclusão, baseado na história clínica, exame físico e achados laboratoriais de plaquetopenia isolada. O principal objetivo do tratamento é prevenir sangramentos graves, especialmente o sangramento intracraniano, que é a complicação mais temida. A decisão de tratar e a escolha da terapia dependem da contagem de plaquetas, da presença e gravidade dos sangramentos e do risco individual do paciente. Para crianças com plaquetas muito baixas (<20.000-30.000/mm³) e sangramento mucoso ou outros sangramentos clinicamente significativos, a imunoglobulina endovenosa (IVIG) ou os corticosteroides são as opções de primeira linha. A IVIG age rapidamente, enquanto os corticosteroides têm um início de ação um pouco mais lento. A transfusão de plaquetas é geralmente reservada para sangramentos com risco de vida. O acompanhamento é essencial, pois a maioria dos casos pediátricos de PTI aguda resolve-se espontaneamente em semanas a meses.
Clinicamente, a PTI em crianças geralmente se manifesta com petéquias, equimoses e sangramentos mucosos (epistaxe, gengivorragia) de início súbito, frequentemente após uma infecção viral. Laboratorialmente, o achado característico é a plaquetopenia isolada, com hemograma e diferencial normais, e ausência de outras causas de trombocitopenia.
A IVIG é indicada em crianças com PTI aguda que apresentam plaquetas muito baixas (<20.000-30.000/mm³) e sangramento clinicamente significativo, especialmente sangramento mucoso, ou naqueles com alto risco de sangramento intracraniano. Ela age bloqueando a destruição plaquetária e elevando rapidamente a contagem de plaquetas.
Os corticosteroides (como a prednisona) são outra opção de primeira linha para o tratamento da PTI em crianças, especialmente na ausência de sangramento grave. Eles atuam diminuindo a produção de anticorpos antiplaquetários e a destruição das plaquetas pelo sistema reticuloendotelial, embora sua resposta possa ser mais lenta que a da IVIG.
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