FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2022
Menina, 10 anos de idade, previamente saudável, apresenta petéquias e equimoses em membros e sobre saliências ósseas, cristas ilíacas e costelas. Ficou resfriada por 5 dias há, aproximadamente, 1 mês. Ao exame, está afebril, corada, os linfonodos são palpáveis, em regiões cervical e inguinais, menores de 0,5 cm de diâmetro, móveis e indolores; o fígado e o baço não são palpáveis. No hemograma, tem Hb 12,6 g/dL, 10.200 leucócitos com distribuição normal e contagem de plaquetas 58.000/mm³. Urina I com 1.000 hemácias/mL. Tipo sanguíneo A positivo e Coombs direto negativo.O diagnóstico provável e a conduta indicada são:
Criança + petéquias/equimoses + trombocitopenia isolada + infecção viral prévia + Coombs negativo = PTI.
O quadro clínico de uma criança com petéquias, equimoses, trombocitopenia isolada (Hb e leucócitos normais) e história de infecção viral recente é altamente sugestivo de Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) primária. Na maioria das crianças, a PTI é autolimitada e a conduta inicial é expectante, com orientações sobre evitar traumas e medicamentos que afetem a coagulação.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI), anteriormente conhecida como Púrpura Trombocitopênica Idiopática, é um distúrbio autoimune caracterizado pela destruição acelerada de plaquetas mediada por anticorpos, resultando em trombocitopenia. Em crianças, a PTI aguda é frequentemente precedida por uma infecção viral (cerca de 1 a 4 semanas antes) e tem um curso geralmente benigno e autolimitado. O diagnóstico de PTI é de exclusão. O quadro clínico típico inclui petéquias, equimoses e, em casos mais graves, sangramentos mucosos. O hemograma revela trombocitopenia isolada, com hemoglobina e leucócitos geralmente normais. A ausência de hepatoesplenomegalia e linfonodomegalia significativa, juntamente com um Coombs direto negativo (para excluir anemia hemolítica autoimune concomitante), reforça o diagnóstico. O mielograma não é rotineiramente necessário, sendo indicado apenas se houver atipias no hemograma ou suspeita de outras causas. A conduta na PTI pediátrica depende da gravidade do sangramento e da contagem de plaquetas. Na maioria dos casos de PTI aguda em crianças, especialmente com plaquetas > 20.000-30.000/mm³ e sem sangramento grave, a conduta é expectante, com observação e orientação aos pais sobre a evolução autolimitada da doença, a importância de evitar traumas e o uso de medicamentos que afetam a função plaquetária (como AINEs). O tratamento com imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou corticosteroides é reservado para sangramentos graves ou risco iminente de sangramento.
O diagnóstico de PTI em crianças é de exclusão, baseado na presença de trombocitopenia isolada (plaquetas < 100.000/mm³) em um paciente sem outras causas óbvias de trombocitopenia, com hemograma normal exceto pelas plaquetas, e frequentemente após uma infecção viral.
O tratamento farmacológico (corticosteroides, imunoglobulina IV) é geralmente reservado para crianças com sangramento grave ou com alto risco de sangramento, como sangramento intracraniano, e não para todos os casos de trombocitopenia.
A maioria dos casos de PTI em crianças é aguda e autolimitada, com recuperação espontânea da contagem de plaquetas em semanas a poucos meses, especialmente após infecções virais. A observação e orientação são frequentemente suficientes.
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