IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025
Menino de 2 anos é levado a uma unidade de emergência pelos seus pais após ele evoluir com aparecimento de lesões cutâneas nos membros inferiores. Os pais negam outros sinais e/ou sintomas, apenas descrevendo quadro viral há cerca de 15 dias. Ao exame físico, o médico plantonista observa a presença de petéquias e equimoses em membros inferiores. Laboratorialmente, apresenta plaquetopenia de 52.000/mm³, porém sem outras alterações. O provável diagnóstico do caso é:
Plaquetopenia isolada + Pródromo viral + Bom estado geral → Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI).
A PTI é a causa mais comum de plaquetopenia aguda na infância, geralmente ocorrendo após infecções virais. O diagnóstico é clínico-laboratorial baseado na plaquetopenia isolada sem outras alterações hematológicas.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma desordem autoimune caracterizada pela destruição periférica de plaquetas mediada por autoanticorpos (geralmente IgG) e pela produção medular subótima. Na pediatria, a forma aguda é a mais prevalente, surgindo subitamente após um quadro infeccioso viral banal. A apresentação clássica envolve uma criança previamente hígida com petéquias, equimoses e, por vezes, epistaxe, mas com estabilidade hemodinâmica e ausência de visceromegalias.\n\nLaboratorialmente, a única alteração esperada é a plaquetopenia. A conduta depende mais da gravidade do sangramento do que do valor absoluto das plaquetas. Opções terapêuticas para casos com sangramento mucoso ou risco aumentado incluem Imunoglobulina Intravenosa (IVIG) ou corticosteroides. É crucial diferenciar a PTI de outras causas de púrpura, como a Vasculite por IgA (Henoch-Schönlein), onde as plaquetas estão normais ou aumentadas, e a Leucemia, onde há comprometimento multilinear.
O diagnóstico da Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) em pediatria é essencialmente de exclusão. Os critérios principais incluem a presença de plaquetopenia isolada (contagem de plaquetas < 100.000/mm³) em um paciente com bom estado geral, sem evidências de outras citopenias (como anemia ou neutropenia) e sem sinais sistêmicos como linfonodomegalia ou hepatoesplenomegalia. Frequentemente, há um histórico de infecção viral ou vacinação 1 a 4 semanas antes do início das petéquias e equimoses. O esfregaço de sangue periférico deve ser revisado para excluir pseudotrombocitopenia ou blastos.
O mielograma não é obrigatório para todos os casos de PTI típica na infância. Ele deve ser solicitado quando houver sinais atípicos que sugiram falência medular ou infiltração neoplásica, como febre persistente, dor óssea, perda de peso, linfonodomegalia significativa, hepatoesplenomegalia ou alterações em outras linhagens celulares (anemia ou leucopenia não explicadas). Também é indicado antes de iniciar corticoterapia se houver qualquer dúvida diagnóstica, para evitar o mascaramento de uma leucemia linfoide aguda (LLA).
A PTI na infância tem um excelente prognóstico, sendo autolimitada em cerca de 80% a 90% dos casos, com resolução espontânea dentro de 6 meses, independentemente do tratamento instituído. O manejo inicial muitas vezes é apenas observacional (conduta expectante) se não houver sangramentos graves, focando em orientações de segurança para evitar traumas. Casos que persistem por mais de 12 meses são classificados como PTI crônica, exigindo acompanhamento especializado por hematologista pediátrico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo