SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2021
A.N.S., 2 anos, sexo feminino, é levada para atendimento médico-hospitalar com queixa de manchas roxas nas pernas, nos braços e em abdome há 1 semana. Genitora nega qualquer outro sintoma, porém relata que há cerca de um mês a menor teve um resfriado. Exame físico normal, exceto pela presença de equimoses e petéquias nos 4 membros e em abdome. A respeito do caso, assinale a alternativa CORRETA.
PTI aguda pediátrica: Corticosteroides e Imunoglobulina IV são 1ª linha, conduta individualizada.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) em crianças é frequentemente precedida por infecção viral. O diagnóstico é de exclusão, e o tratamento de primeira linha inclui corticosteroides e imunoglobulina intravenosa, com a conduta sendo individualizada com base na gravidade dos sintomas e contagem plaquetária.
A Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) é uma desordem autoimune caracterizada pela destruição de plaquetas mediada por anticorpos, resultando em plaquetopenia isolada. Em crianças, a PTI aguda é frequentemente precedida por uma infecção viral (resfriado, varicela) em 1 a 4 semanas antes do início dos sintomas, como no caso apresentado. A epidemiologia mostra que a PTI é a causa mais comum de plaquetopenia isolada em crianças, com pico de incidência entre 2 e 5 anos de idade. O reconhecimento precoce é crucial para evitar sangramentos graves. O diagnóstico de PTI é de exclusão, baseado na presença de plaquetopenia isolada (contagem de plaquetas < 100.000/mm³) em um paciente com exame físico normal, exceto pelas manifestações hemorrágicas cutâneas e/ou mucosas. A ausência de linfadenomegalia ou hepatoesplenomegalia é um achado comum na PTI. O hemograma completo é fundamental para descartar outras citopenias. A associação de plaquetopenia com anemia hemolítica autoimune, por exemplo, sugere Síndrome de Evans, um diagnóstico diferencial importante. O tratamento da PTI em crianças é individualizado. Para casos com sangramento leve ou ausente e plaquetas > 20.000-30.000/mm³, a observação pode ser suficiente. Para sangramentos mais significativos ou plaquetas muito baixas (< 20.000/mm³), os corticosteroides (como prednisona oral) e a imunoglobulina intravenosa (IGIV) são as terapias de primeira linha. A transfusão de plaquetas é reservada para sangramentos com risco de vida, pois as plaquetas transfundidas também serão destruídas. O prognóstico da PTI aguda na infância é geralmente bom, com resolução espontânea na maioria dos casos em até 6 meses.
Os principais sinais e sintomas da PTI em crianças são sangramentos cutâneos, como petéquias (pequenos pontos vermelhos) e equimoses (manchas roxas), principalmente nas pernas e braços. Sangramentos mucosos, como epistaxe (sangramento nasal) e gengivorragia, também podem ocorrer, indicando maior gravidade.
A conduta terapêutica para PTI em crianças é individualizada. As opções de primeira linha incluem corticosteroides (como prednisona) e imunoglobulina intravenosa (IGIV). A escolha depende da gravidade do sangramento, da contagem plaquetária e da presença de fatores de risco para sangramento grave.
O mielograma não é mandatório para o diagnóstico de PTI. Ele é indicado em casos atípicos, como quando há outras citopenias associadas (anemia, leucopenia), ausência de resposta ao tratamento de primeira linha, ou suspeita de outras doenças da medula óssea, como leucemia ou aplasia medular.
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