Púrpura de Henoch-Schönlein: Avaliação de Complicações

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026

Enunciado

Menino de 6 anos apresenta, há 4 dias, rash eritematoso caracterizado por lesões purpúricas elevadas, não pruriginosas e que não somem à digitopressão. As lesões iniciaram-se de forma esparsa em ambos os pés, progredindo proximalmente para as coxas e extremidades superiores, com acometimento também de palmas e plantas. Hoje, evoluiu com edema doloroso em pés, limitando a deambulação, além de dor abdominal difusa, mais intensa nos quadrantes superiores direito e esquerdo, de caráter cólico, exacerbada pela alimentação. Nega diarreia, sangramento digestivo, febre ou outros sintomas sistêmicos. É previamente hígido, nega uso habitual de medicações. Refere uso de claritromicina há cerca de 14 dias para quadro respiratório. Hemograma realizado em serviço de emergência não apresenta citopenias ou outras alterações significativas. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual dos seguintes exames é o mais relevante para complementar a avaliação do quadro clínico deste paciente?

Alternativas

  1. A) Angiotomografia torácica e abdominal.
  2. B) Pesquisa de leucócitos fecais e angiotomografia abdominal.
  3. C) Biópsia cutânea com imunofluorescência ou imuno-histoquímica.
  4. D) Urina 1 (exame de sedimento urinário), dosagem sérica de ureia e creatinina

Pérola Clínica

Púrpura palpável + Dor abdominal + Artralgia → Avaliar rim imediatamente (Urina 1 + Cr).

Resumo-Chave

A Púrpura de Henoch-Schönlein é uma vasculite de pequenos vasos cujo prognóstico é determinado pelo grau de comprometimento renal, exigindo monitoramento com exame de urina.

Contexto Educacional

A Púrpura de Henoch-Schönlein (PHS), agora preferencialmente chamada de Vasculite por IgA, é a vasculite sistêmica mais comum na infância. Frequentemente é precedida por uma infecção de vias aéreas superiores (como o uso de claritromicina para quadro respiratório no caso sugere). A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos contendo IgA1 em pequenos vasos da pele, trato gastrointestinal, articulações e glomérulos renais. Embora a maioria dos casos seja autolimitada, o foco do médico deve estar na detecção de complicações. A artralgia e o edema de extremidades causam limitação funcional, mas não deixam sequelas. A dor abdominal pode ser intensa. No entanto, é a nefrite que pode evoluir para insuficiência renal crônica. Por isso, a avaliação inicial com Urina 1, ureia e creatinina é o passo mais relevante para estratificar o risco do paciente e definir a necessidade de acompanhamento nefrológico especializado ou corticoterapia.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do exame de urina na Púrpura de Henoch-Schönlein?

O comprometimento renal (nefrite por IgA) ocorre em até 50% dos pacientes com Púrpura de Henoch-Schönlein (PHS) e é o principal determinante do prognóstico a longo prazo. O exame de urina (Urina 1 ou EAS) é essencial para detectar hematúria e proteinúria, que são sinais precoces de inflamação glomerular. Mesmo que o paciente não apresente sintomas urinários no início, o rastreio deve ser repetido periodicamente por até 6 meses após o quadro agudo, pois a nefrite pode se manifestar tardiamente.

Como é feito o diagnóstico da PHS?

O diagnóstico é eminentemente clínico. Os critérios de classificação (EULAR/PRINTO/PRES) exigem a presença de púrpura palpável (obrigatório) associada a pelo menos um dos seguintes: dor abdominal difusa, artralgia ou artrite, envolvimento renal (hematúria/proteinúria) ou biópsia demonstrando deposição predominante de IgA. No caso clínico apresentado, o paciente preenche os critérios clássicos, tornando exames invasivos como biópsia de pele desnecessários para a confirmação inicial.

Quais são as complicações gastrointestinais da PHS?

A dor abdominal em cólica é comum devido ao edema e hemorragia na parede intestinal. A complicação gastrointestinal mais grave e temida é a intussuscepção intestinal (geralmente ileoileal), que ocorre em cerca de 1-5% dos casos. Outras complicações incluem sangramento digestivo oculto ou franco e, raramente, perfuração intestinal. O manejo costuma ser conservador, mas sinais de abdome agudo exigem avaliação cirúrgica imediata.

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