SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2015
Pré-escolar de 3 anos, sexo masculino, após 2 semanas de quadro de IVAS, apresenta febre, astenia, exantema maculo-papular que desaparece à digitopressão e evolui para petéquias em nádegas e membros inferiores. Durante evolução das lesões purpúricas, surgiu edema sob lesões cutânea e pálpebras, lábios, dorso das mãos e pés. Conduta:
Púrpura de Henoch-Schönlein: vasculite IgA pós-IVAS, exantema petequial + edema, conduta expectante na maioria.
O quadro clínico descrito (pré-escolar, pós-IVAS, exantema maculopapular evoluindo para petéquias em áreas de pressão, edema em extremidades e face) é altamente sugestivo de Púrpura de Henoch-Schönlein (vasculite por IgA). Na maioria dos casos, a doença tem curso benigno e autolimitado, requerendo apenas conduta expectante e sintomática.
A Púrpura de Henoch-Schönlein (PHS), também conhecida como vasculite por IgA, é a vasculite mais comum na infância, afetando predominantemente crianças em idade pré-escolar e escolar. Caracteriza-se por uma vasculite de pequenos vasos mediada por depósitos de imunocomplexos de IgA. Frequentemente, é precedida por uma infecção de vias aéreas superiores (IVAS) em 1 a 3 semanas, como no caso descrito. O quadro clínico clássico da PHS envolve uma tétrade de manifestações: púrpura palpável (geralmente em nádegas e membros inferiores, não trombocitopênica), artralgia ou artrite (principalmente em grandes articulações), dor abdominal (que pode mimetizar abdome agudo e, em casos raros, levar à intussuscepção) e envolvimento renal (hematúria e/ou proteinúria). O edema angioneurótico, como descrito na questão, é uma manifestação comum, especialmente em crianças pequenas, afetando pálpebras, lábios, dorso das mãos e pés. Na maioria dos casos, a PHS é uma doença autolimitada com um curso benigno, e a conduta é expectante e de suporte, focada no alívio dos sintomas com analgésicos e hidratação. Corticosteroides podem ser indicados para dor abdominal intensa, artrite incapacitante ou envolvimento renal grave. O prognóstico geralmente é excelente, mas o acompanhamento renal é crucial devido ao risco de desenvolvimento de doença renal crônica em uma pequena porcentagem de pacientes. Residentes devem estar aptos a reconhecer esse quadro típico para evitar intervenções desnecessárias e monitorar complicações.
Os critérios incluem púrpura palpável não trombocitopênica (essencial), associada a um dos seguintes: dor abdominal, artrite/artralgia, envolvimento renal (hematúria/proteinúria) ou biópsia com depósitos de IgA.
Na maioria dos casos, a conduta é expectante e sintomática, com repouso, hidratação e analgésicos para dor. Corticosteroides podem ser considerados para dor abdominal grave ou artrite incapacitante, e para envolvimento renal grave.
As complicações mais comuns são o envolvimento renal (glomerulonefrite), que pode evoluir para doença renal crônica em uma minoria dos casos, e o envolvimento gastrointestinal, que pode levar a intussuscepção ou hemorragia.
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