Púrpura de Henoch-Schönlein: Diagnóstico em Pediatria

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente masculino, 5 anos, previamente hígido, procura atendimento em unidade de urgência com queixa, há 6 dias, de dor, com edema de tornozelos e aparecimento progressivo de lesões avermelhadas nas pernas e pés Há 2 dias vem apresentando dor abdominal de moderada Pediatria intensidade. Referiu quadro gripal há 2 semanas, porém de carácter autolimitado. Ao exame clínico, encontra-se em bom estado geral, sinais vitais admissionais preservados, dor leve à palpação difusa do abdome, púrpuras e petéquias palpáveis em glúteos e membros inferiores, além de artrite tornozelos. Sem outras alterações pertinentes no exame físico.Sobre a principal hipótese diagnóstica do quadro acima descrito, assinale e alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Púrpura Trombocitopênica Imune.
  2. B) Febre Maculosa das Montanhas Rochosas.
  3. C) Menincococcemia.
  4. D) Purpura de Henoch-Schonlein.

Pérola Clínica

Criança pós-gripal com púrpura palpável, dor abdominal e artrite → Púrpura de Henoch-Schönlein.

Resumo-Chave

O quadro clínico de uma criança com púrpura palpável em glúteos e membros inferiores, dor abdominal e artrite (especialmente após um quadro gripal) é clássico da Púrpura de Henoch-Schönlein (PHS), também conhecida como Vasculite por IgA. É uma vasculite de pequenos vasos que afeta principalmente pele, articulações, trato gastrointestinal e rins.

Contexto Educacional

A Púrpura de Henoch-Schönlein (PHS), atualmente mais conhecida como Vasculite por IgA, é a vasculite sistêmica mais comum na infância, afetando predominantemente crianças entre 3 e 15 anos. Caracteriza-se por uma vasculite de pequenos vasos mediada por imunocomplexos de IgA, frequentemente precedida por uma infecção de vias aéreas superiores. O reconhecimento precoce é fundamental para o manejo adequado e prevenção de complicações. O diagnóstico da PHS é clínico e baseia-se na tétrade clássica de sintomas: púrpura palpável (não trombocitopênica), geralmente em glúteos e membros inferiores; artralgia ou artrite (mais comum em tornozelos e joelhos); dor abdominal (que pode mimetizar um abdome agudo e, em casos raros, levar à intussuscepção); e envolvimento renal (hematúria e/ou proteinúria). A presença de um quadro gripal prévio é um dado epidemiológico importante que reforça a suspeita diagnóstica. O tratamento da PHS é principalmente de suporte, com manejo da dor e hidratação. Corticosteroides podem ser utilizados para aliviar a dor abdominal grave e a artrite, mas seu papel na prevenção de complicações renais ainda é controverso. O prognóstico é geralmente bom, mas o acompanhamento a longo prazo é essencial, especialmente para monitorar o envolvimento renal, que pode ser a complicação mais grave e persistente, com risco de progressão para doença renal crônica em uma pequena porcentagem de pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Púrpura de Henoch-Schönlein?

Os critérios diagnósticos incluem púrpura palpável (geralmente em membros inferiores e glúteos) mais um dos seguintes: dor abdominal difusa, artrite ou artralgia (especialmente em grandes articulações), envolvimento renal (hematúria/proteinúria) ou evidência histopatológica de vasculite por IgA.

Qual a fisiopatologia da Púrpura de Henoch-Schönlein?

A PHS é uma vasculite de pequenos vasos mediada por imunocomplexos contendo IgA, que se depositam nas paredes dos vasos sanguíneos. Frequentemente, é desencadeada por infecções de vias aéreas superiores, levando a uma resposta imune anormal que resulta na inflamação vascular sistêmica.

Quais as principais complicações da Púrpura de Henoch-Schönlein?

As complicações mais sérias envolvem o trato gastrointestinal (intussuscepção, hemorragia) e os rins (glomerulonefrite, que pode evoluir para doença renal crônica). O acompanhamento renal é crucial, pois a nefropatia pode ser a complicação mais grave a longo prazo.

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