Púrpura Henoch-Schönlein: Diagnóstico em Crianças

Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2022

Enunciado

Menino, 6 anos é levado ao PS com relato de quadro respiratório viral prévio há 10 dias com remissão espontânea sendo realizado RT PCR para Covid negativo. Hoje iniciou manchas vermelhas em membros inferiores e nádegas associado à dor abdominal e 2 episódios de vômito. Ao exame: bom estado geral, hipocorado +/4, hidratado, afebril. Lúcido, cooperativo ao exame. Presença de lesões cutâneas eritematosas, petéquias e equimoses em membros inferiores, região glútea e pés. Dor e edema em tornozelos bilateralmente. Exames laboratoriais: Hb 11 / Htco 34,8 / Leuco 16.700 (NB 02/ NS 54 / Eo 03 / L 33 / M 08) PLQ 257.000 TAP 88% PTTk 26” PCR 22,0 EAS – pH 7,0 / DU 1010 / raros leucócitos / numerosas hemácias / (+) proteína / nitrito negativo / flora escassa/Qual provável diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Glomerulonefrite aguda pós estreptocócica
  2. B) Síndrome Hemolítico-urêmica
  3. C) Púrpura Henoch-Schonlein
  4. D) Lupus Eritematoso Sistêmico

Pérola Clínica

Púrpura Henoch-Schönlein = Púrpura palpável (MMII/nádegas) + Dor abdominal + Artralgia + Acometimento renal (hematúria/proteinúria).

Resumo-Chave

A Púrpura de Henoch-Schönlein (vasculite por IgA) é uma vasculite sistêmica comum na infância, frequentemente precedida por infecção viral. Caracteriza-se pela tétrade clássica: púrpura palpável (especialmente em membros inferiores e nádegas), artralgia/artrite, dor abdominal e acometimento renal (hematúria e/ou proteinúria), como evidenciado no EAS.

Contexto Educacional

A Púrpura de Henoch-Schönlein (PHS), ou vasculite por IgA, é a vasculite mais comum na infância, caracterizada por uma inflamação dos pequenos vasos sanguíneos. Geralmente ocorre após uma infecção do trato respiratório superior ou gastrointestinal, com pico de incidência entre 3 e 15 anos. A patogênese envolve o depósito de imunocomplexos contendo IgA nas paredes dos vasos, levando à inflamação e extravasamento. O quadro clínico clássico da PHS é a tétrade de púrpura palpável (lesões cutâneas elevadas, não branqueáveis, predominantemente em membros inferiores e nádegas), artralgia ou artrite (principalmente em tornozelos e joelhos), dor abdominal (tipo cólica, podendo ser grave e associada a vômitos ou sangramento gastrointestinal) e acometimento renal (hematúria e/ou proteinúria, detectáveis no EAS). O hemograma é geralmente normal, exceto pela leucocitose e PCR elevado, indicando inflamação, e as plaquetas são normais ou elevadas, diferenciando-a de púrpuras trombocitopênicas. O diagnóstico é clínico, baseado na presença da púrpura palpável e pelo menos um dos outros três critérios. O tratamento é de suporte, com analgesia e hidratação. Corticosteroides podem ser usados para dor abdominal grave ou artrite, mas não alteram o curso da doença renal. O prognóstico é geralmente bom, mas o acompanhamento renal é crucial, pois a nefropatia por IgA pode evoluir para doença renal crônica em uma pequena porcentagem dos casos.

Perguntas Frequentes

Quais são os quatro principais componentes clínicos da Púrpura de Henoch-Schönlein?

Os quatro componentes clássicos são: púrpura palpável (não trombocitopênica), artralgia ou artrite (principalmente em grandes articulações de membros inferiores), dor abdominal (tipo cólica, podendo mimetizar abdome agudo) e envolvimento renal (hematúria e/ou proteinúria).

Qual o papel da infecção viral prévia no desenvolvimento da Púrpura de Henoch-Schönlein?

A Púrpura de Henoch-Schönlein é frequentemente precedida por infecções do trato respiratório superior ou gastrointestinal, sugerindo que uma resposta imune anormal a esses gatilhos infecciosos desempenha um papel na sua patogênese.

Como o acometimento renal se manifesta na Púrpura de Henoch-Schönlein e qual sua importância?

O acometimento renal se manifesta como hematúria (micro ou macroscópica) e/ou proteinúria, sendo a complicação mais grave e o principal fator prognóstico a longo prazo. O monitoramento da função renal é essencial.

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