Púrpura de Henoch-Schönlein: Diagnóstico e Sinais Chave

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020

Enunciado

Menino de 6 anos de idade, apresenta lesões purpúricas em membros inferiores, associadas a febre moderada, artrite de tornozelos e dor abdominal. Nega sangramentos e mantem bom estado geral. Atendido em pronto socorro, onde realizou os seguintes exames: Hemograma (Hb 12mg/dL/ Ht 36%, Leucócitos 8.000 com 35% de segmentados, 25% de linfócitos, 2% de eosinófilos, Plaquetas 350.000), VHS 55 mm na primeira hora, PCR negativo, Urina 1: presença de 10 hemácias por campo, sem outras alterações. Em relação ao caso, assinale a alternativa que contém o diagnóstico mais provável:

Alternativas

  1. A) Púrpura Trombocitopênica imune
  2. B) Meningococcemia
  3. C) Dengue
  4. D) Leucemia
  5. E) Púrpura de Henoch-Schönlein

Pérola Clínica

Púrpura palpável + artrite + dor abdominal + hematúria = Púrpura de Henoch-Schönlein.

Resumo-Chave

O quadro clínico de púrpura palpável em membros inferiores, artrite, dor abdominal e hematúria microscópica é clássico da Púrpura de Henoch-Schönlein (Vasculite por IgA), uma vasculite de pequenos vasos comum na infância. Os exames laboratoriais, como plaquetas normais e PCR negativo, ajudam a excluir outras causas de púrpura.

Contexto Educacional

A Púrpura de Henoch-Schönlein, também conhecida como Vasculite por IgA, é a vasculite sistêmica mais comum na infância, caracterizada por deposição de imunocomplexos contendo IgA em pequenos vasos. Sua etiologia é frequentemente pós-infecciosa, especialmente após infecções do trato respiratório superior. O quadro clínico clássico envolve uma tétrade de manifestações: púrpura palpável não trombocitopênica (predominantemente em membros inferiores e nádegas), artralgia ou artrite (joelhos e tornozelos), dor abdominal (cólicas, náuseas, vômitos, sangramento gastrointestinal) e envolvimento renal (hematúria e/ou proteinúria). O diagnóstico é clínico, baseado na presença da púrpura palpável e em pelo menos um dos outros três critérios. Exames laboratoriais, como hemograma com plaquetas normais, VHS e PCR elevados (mas não sempre), e exame de urina para detectar hematúria e proteinúria, são úteis para corroborar o diagnóstico e excluir diferenciais. É importante diferenciar de outras causas de púrpura, como PTI (plaquetopenia) e meningococcemia (sinais de sepse grave e coagulopatia). O tratamento é principalmente de suporte, com analgésicos para dor e anti-inflamatórios para artrite. Corticosteroides podem ser usados para dor abdominal grave ou envolvimento renal significativo. O prognóstico é geralmente bom, mas o monitoramento a longo prazo da função renal é essencial devido ao risco de desenvolvimento de doença renal crônica em uma pequena porcentagem de pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para Púrpura de Henoch-Schönlein?

Os critérios diagnósticos incluem púrpura palpável (geralmente em membros inferiores, não trombocitopênica), dor abdominal (cólicas, sangramento gastrointestinal), artrite ou artralgia (principalmente em grandes articulações) e envolvimento renal (hematúria, proteinúria). A presença de púrpura palpável mais pelo menos um dos outros três critérios é sugestiva.

Como diferenciar Púrpura de Henoch-Schönlein de Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI)?

A principal diferença está na contagem de plaquetas. Na Púrpura de Henoch-Schönlein, as plaquetas são normais ou elevadas, enquanto na PTI, a contagem de plaquetas está significativamente reduzida, o que é a causa da púrpura. Além disso, a Púrpura de Henoch-Schönlein apresenta a tríade clássica de púrpura palpável, artrite e dor abdominal.

Quais são as complicações mais comuns da Púrpura de Henoch-Schönlein?

As complicações mais comuns incluem envolvimento renal (nefrite, que pode evoluir para doença renal crônica), intussuscepção intestinal (devido ao edema e sangramento da parede intestinal), sangramento gastrointestinal e, raramente, envolvimento do sistema nervoso central ou pulmonar. O monitoramento renal é crucial.

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