Púrpura de Henoch-Schönlein: Diagnóstico em Crianças

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2025

Enunciado

Menino de 5 anos de idade, apresenta lesões violáceas elevadas com predomínio em membros inferiores e nádegas há 2 dias, associadas a dor e edema em tornozelos, mantendo bom estado geral, sem outras alterações. Atendido pelo pediatra que solicitou hemograma e coagulograma, ambos sem alterações. Neste contexto, assinale a alternativa que contém a principal hipótese diagnóstica.

Alternativas

  1. A) Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI).
  2. B) Sepsis.
  3. C) Meningococcemia.
  4. D) Púrpura de Henoch-Schönlein (vasculite por IgA).
  5. E) Lúpus Eritematoso sistêmico Juvenil.

Pérola Clínica

Criança com púrpura palpável em MMII/nádegas + artralgia/edema articular + coagulograma normal → Púrpura de Henoch-Schönlein.

Resumo-Chave

A Púrpura de Henoch-Schönlein (vasculite por IgA) é uma vasculite sistêmica comum na infância, caracterizada pela tétrade de púrpura palpável, artralgia, dor abdominal e envolvimento renal. A apresentação clássica com púrpura em membros inferiores e articulações dolorosas, com coagulograma normal, é altamente sugestiva.

Contexto Educacional

A Púrpura de Henoch-Schönlein (PHS), também conhecida como vasculite por IgA, é a vasculite sistêmica mais comum na infância, afetando predominantemente crianças entre 2 e 10 anos. É caracterizada por uma vasculite de pequenos vasos mediada por depósitos de imunocomplexos de IgA. A etiologia é frequentemente idiopática, mas pode ser desencadeada por infecções (especialmente do trato respiratório superior), medicamentos ou vacinas. A apresentação clínica clássica da PHS envolve uma tétrade de manifestações: púrpura palpável (lesões violáceas elevadas, não trombocitopênicas, predominantes em membros inferiores e nádegas), artralgia ou artrite (geralmente em grandes articulações como joelhos e tornozelos), dor abdominal (que pode ser grave e mimetizar abdome agudo, com risco de intussuscepção) e envolvimento renal (hematúria e/ou proteinúria). O diagnóstico é clínico, baseado na presença da púrpura palpável e em pelo menos um dos outros três critérios, com exames laboratoriais (hemograma e coagulograma) geralmente normais, o que ajuda a diferenciá-la de outras púrpuras. O tratamento da PHS é principalmente de suporte, com analgésicos para dor e repouso. Corticosteroides podem ser usados para dor abdominal grave ou artrite intensa, mas não alteram o curso da doença renal. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria dos casos resolvendo-se espontaneamente. No entanto, o acompanhamento a longo prazo é essencial, especialmente para monitorar o envolvimento renal, que é a principal causa de morbidade a longo prazo e pode progredir para doença renal crônica em uma pequena porcentagem de pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Púrpura de Henoch-Schönlein?

Os critérios incluem púrpura palpável (não trombocitopênica) e pelo menos um dos seguintes: dor abdominal difusa, artrite/artralgia (geralmente em grandes articulações), envolvimento renal (hematúria/proteinúria) ou biópsia com depósito de IgA.

Como diferenciar Púrpura de Henoch-Schönlein de Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI)?

A principal diferença é que na Púrpura de Henoch-Schönlein, a contagem de plaquetas e o coagulograma são normais, enquanto na PTI há uma trombocitopenia significativa (baixa contagem de plaquetas).

Quais são as possíveis complicações da Púrpura de Henoch-Schönlein?

As complicações mais comuns incluem dor abdominal intensa, intussuscepção (especialmente em crianças mais novas) e envolvimento renal, que pode variar de hematúria microscópica a glomerulonefrite progressiva e doença renal crônica em casos mais graves.

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