Púrpura de Henoch-Schönlein: Diagnóstico e Manejo Renal

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 4 anos previamente hígido está passando em consulta de rotina pediátrica. Mãe refere que, há cerca de 2 semanas, ele apresentou um quadro de dor nos punhos e tornozelos, dor abdominal e “caroços elevados” pelo corpo. Ela o medicou com amosxicilina por conta própria e refere que, após cerca de uma semana, as lesões começaram a melhorar. Ao exame, está em BEG, corado, hidratado, FC: 92 bpm, FR: 20 ipm, PA: 82x50 mmHg. Restante do exame clínico sem alterações, exceto por lesões residuais em membros inferiores, conforme imagem a seguir. Considerando a principal hipótese diagnóstica, assinale os exames que deverão ser realizados de forma seriada nos meses subsequentes.

Alternativas

  1. A) Hemograma com contagem de plaquetas e coagulograma. 
  2. B) Anticorpo antiestreptolisina O e ecocardiograma. 
  3. C) Função renal e sedimento urinário.
  4. D) Frações C3 e C4 do complemento.

Pérola Clínica

Púrpura de Henoch-Schönlein → acompanhamento renal seriado (função renal, sedimento urinário) devido risco de nefropatia IgA.

Resumo-Chave

A Púrpura de Henoch-Schönlein (HSP) é uma vasculite de pequenos vasos comum na infância, caracterizada por púrpura palpável, artralgia, dor abdominal e envolvimento renal. O acometimento renal é a complicação mais grave a longo prazo, exigindo monitoramento seriado da função renal e sedimento urinário por meses após o quadro agudo.

Contexto Educacional

A Púrpura de Henoch-Schönlein (HSP), também conhecida como vasculite por IgA, é a vasculite sistêmica mais comum na infância, afetando principalmente crianças entre 3 e 15 anos. Caracteriza-se por uma tétrade de sintomas: púrpura palpável (não trombocitopênica), artralgia/artrite, dor abdominal e nefrite. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos contendo IgA nos pequenos vasos. O diagnóstico é clínico, baseado na presença da púrpura palpável e pelo menos um dos outros três critérios (artrite/artralgia, dor abdominal, envolvimento renal). Embora a maioria dos casos seja autolimitada, o envolvimento renal é a complicação mais séria, podendo evoluir para doença renal crônica. Por isso, é fundamental o acompanhamento seriado da função renal (creatinina) e do sedimento urinário (hematúria e proteinúria) por pelo menos 6 a 12 meses após o quadro agudo, mesmo em pacientes sem evidência inicial de nefrite. O tratamento é sintomático, com analgésicos e repouso. Corticosteroides podem ser considerados para dor abdominal intensa, artrite grave ou envolvimento renal progressivo. O prognóstico geral é bom, mas a vigilância renal é essencial para identificar e manejar precocemente a nefropatia, que é o principal determinante da morbidade a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Púrpura de Henoch-Schönlein?

Os sintomas clássicos incluem púrpura palpável em membros inferiores e nádegas, artralgia (principalmente em tornozelos e joelhos), dor abdominal e, em alguns casos, envolvimento renal com hematúria e proteinúria.

Por que o monitoramento renal é essencial na Púrpura de Henoch-Schönlein?

O monitoramento renal é crucial devido ao risco de desenvolvimento de nefropatia por IgA, que pode levar à doença renal crônica. Exames seriados de função renal e sedimento urinário permitem a detecção precoce de complicações.

Qual é o tratamento inicial para a Púrpura de Henoch-Schönlein?

O tratamento é principalmente de suporte, com analgésicos para dor e repouso. Corticosteroides podem ser usados para dor abdominal grave ou envolvimento articular, mas seu papel na prevenção da nefropatia é controverso.

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