Pupila de Adie: Diagnóstico e Teste da Pilocarpina

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008

Enunciado

Mulher, 15 anos de idade, apresentou embaçamento visual de aparecimento súbito OE, pior para perto. A acuidade visual com correção era 1,0 AO. Ao exame oftalmológico presença de anisocoria, maior em ambiente claro. O reflexo pupilar era normal OD e com dissociação luz-perto OE. O fundo de olho era normal AO. Qual o exame que auxiliaria no diagnóstico desta paciente?

Alternativas

  1. A) Teste da fenilefrina a 1%
  2. B) Teste do tensilon
  3. C) Ressonância magnética
  4. D) Teste da pilocarpina a 0,125%

Pérola Clínica

Anisocoria (maior no claro) + Dissociação luz-perto + Miose com pilocarpina 0,125% = Adie.

Resumo-Chave

A Pupila de Adie apresenta hipersensibilidade por denervação; a pilocarpina muito diluída (0,125%) causa miose na pupila afetada, mas não na pupila normal.

Contexto Educacional

A Pupila de Adie é uma desordem benigna, mas que exige diagnóstico diferencial rigoroso com outras causas de anisocoria, como a paralisia do III par craniano (que apresenta ptose e motilidade ocular alterada). A fisiopatologia envolve uma inflamação idiopática, viral ou traumática do gânglio ciliar, resultando em denervação parassimpática da íris e do corpo ciliar.

Perguntas Frequentes

Como funciona o teste da pilocarpina a 0,125%?

O teste baseia-se no princípio da hipersensibilidade por denervação. Em uma pupila normal, a concentração de 0,125% de pilocarpina é insuficiente para causar miose (contração pupilar). No entanto, na Pupila de Adie, a lesão do gânglio ciliar causa uma perda da inervação parassimpática pós-ganglionar, o que leva a um aumento compensatório na sensibilidade dos receptores muscarínicos no esfíncter da íris. Assim, a pupila afetada contrai significativamente com a droga diluída, confirmando o diagnóstico.

O que é a dissociação luz-perto na Pupila de Adie?

A dissociação luz-perto refere-se a uma condição onde a resposta pupilar ao estímulo de luz é fraca ou ausente, mas a resposta ao esforço de acomodação/convergência (perto) é mantida e, muitas vezes, tônica (lenta para relaxar). Na Pupila de Adie, isso ocorre devido à regeneração aberrante das fibras nervosas que originalmente iriam para o músculo ciliar (acomodação), mas acabam reinervando o esfíncter da íris após a lesão ganglionar.

Quais são os sintomas típicos de um paciente com Pupila de Adie?

Pacientes com Pupila de Adie, frequentemente mulheres jovens, queixam-se de embaçamento visual súbito, especialmente para leitura (devido à paresia da acomodação), e fotofobia. Ao exame, nota-se uma pupila unilateral dilatada que responde mal à luz. Com o tempo, a pupila pode se tornar menor ('Little Old Adie'). Quando associada à perda de reflexos tendinosos profundos, a condição é denominada Síndrome de Holmes-Adie.

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