CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2018
Paciente em investigação de anisocoria, apresenta o exame semiológico abaixo: A- pupila em luz ambiente; B- após estímulo luminoso; C - após esforço acomodação/ convergência. Considerando a principal hipótese diagnóstica com base no exame semiológico abaixo, assinale a alternativa correta.
Pupila de Adie = Dissociação luz-perto + Disfunção do gânglio ciliar.
A pupila tônica de Adie decorre de uma lesão no gânglio ciliar ou nervos ciliares curtos, resultando em uma pupila que reage mal à luz, mas apresenta contração lenta e tônica para perto.
A semiologia pupilar é fundamental para localizar lesões nas vias autonômicas. A Pupila de Adie representa uma denervação parassimpática pós-ganglionar. O gânglio ciliar, localizado na órbita posterior, é o local onde as fibras pré-ganglionares do III par fazem sinapse. A causa exata da inflamação no gânglio ciliar na maioria dos casos de Adie permanece desconhecida (idiopática), mas o quadro clínico é marcante pela anisocoria que é mais evidente em ambientes claros (já que a pupila afetada não contrai adequadamente à luz). Com o tempo, a pupila tônica tende a tornar-se menor ('little old Adie').
Na Pupila de Adie, há uma resposta pupilar à luz muito fraca ou ausente. No entanto, quando o paciente realiza um esforço de acomodação/convergência (visão de perto), a pupila se contrai de forma lenta e tônica. Após o esforço, ela também demora a redilatar. Isso ocorre devido à regeneração aberrante de fibras nervosas que originalmente iriam para o músculo ciliar, mas acabam reinervando o esfíncter da íris.
Utiliza-se pilocarpina em concentração muito baixa (0,125%). Uma pupila normal não se contrai com essa dosagem. A Pupila de Adie, devido à hipersensibilidade por denervação colinérgica, apresentará uma miose significativa, confirmando a disfunção pós-ganglionar.
É a associação da pupila tônica de Adie com a perda ou diminuição dos reflexos tendinosos profundos (especialmente o reflexo aquileu e patelar). É uma condição benigna, mais comum em mulheres jovens, e geralmente idiopática, embora possa seguir infecções virais.
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