AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2023
Lactente, feminina, 8 meses, previamente hígida, é levada à emergência com história de febre há 36 horas, piora progressiva do estado geral, irritabilidade extrema e um episódio de crise convulsiva com duração de quinze minutos. O episódio ocorreu em casa, na região rural, há cerca de 2 horas. Responsável nega episódios anteriores. Exame físico: sonolenta, porém facilmente despertável, mais irritada que o usual, má perfusão periférica, taquicárdica, sem sinais meníngeos, sem rigidez de nuca. Hiperemia de orofaringe, demais aspectos do exame físico sem alterações. Dentre as alternativas abaixo, o exame que mais auxiliará no diagnóstico é:
Lactente < 12m com febre + crise convulsiva prolongada/complexa + piora EG/irritabilidade → Punção Lombar (excluir infecção SNC).
Em lactentes menores de 12 meses, a apresentação de febre associada a uma crise convulsiva prolongada (complexa) ou com piora do estado geral e irritabilidade extrema, mesmo sem sinais meníngeos clássicos, exige investigação para infecção do Sistema Nervoso Central (SNC). A punção lombar é o exame mais importante para o diagnóstico de meningite ou encefalite neste grupo etário.
A ocorrência de febre e crise convulsiva em lactentes é um cenário clínico que exige atenção e investigação cuidadosa, especialmente quando há características de complexidade ou comprometimento do estado geral. A meningite bacteriana em lactentes é uma emergência pediátrica com alta morbimortalidade, e seu diagnóstico precoce é fundamental. Epidemiologicamente, lactentes são particularmente vulneráveis a infecções do Sistema Nervoso Central (SNC) devido à imaturidade do sistema imunológico e à barreira hematoencefálica. A fisiopatologia da meningite envolve a invasão bacteriana das meninges, levando à inflamação e aumento da pressão intracraniana. Em lactentes, os sinais e sintomas podem ser sutis e inespecíficos, como irritabilidade, sonolência, má perfusão e taquicardia, sem a presença de rigidez de nuca ou outros sinais meníngeos clássicos. Uma crise convulsiva prolongada ou focal em um lactente febril deve sempre levantar a suspeita de infecção do SNC. A punção lombar é o exame diagnóstico mais importante, permitindo a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) para identificar o agente etiológico e iniciar a antibioticoterapia adequada. O manejo de um lactente com febre e convulsão complexa ou com sinais de toxicidade deve incluir estabilização hemodinâmica, coleta de exames laboratoriais (hemograma, PCR, eletrólitos) e, crucialmente, a realização de punção lombar. A decisão de realizar a punção lombar não deve ser atrasada pela ausência de sinais meníngeos típicos. O tratamento precoce com antibióticos de amplo espectro, como ceftriaxone ou vancomicina, é essencial para melhorar o prognóstico e prevenir sequelas neurológicas. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais de alerta e a indicar a punção lombar de forma oportuna.
A punção lombar é indicada em lactentes com febre e convulsão quando há suspeita de infecção do SNC, como em casos de convulsão febril complexa (duração >15 min, focal, recorrente em 24h), idade <12 meses, piora do estado geral, irritabilidade extrema, má perfusão ou sinais de toxicidade.
A punção lombar é crucial porque a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é o padrão-ouro para diagnosticar meningite e encefalite. Em lactentes, os sinais clínicos de meningite podem ser inespecíficos, tornando o exame do LCR indispensável para um diagnóstico preciso e início do tratamento adequado.
Em lactentes, os sinais de meningite podem ser atípicos, incluindo irritabilidade, letargia, recusa alimentar, vômitos, fontanela abaulada, convulsões e hipotonia. Sinais clássicos como rigidez de nuca são frequentemente ausentes, o que exige alta suspeição clínica.
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