UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Menina, 8a, negra, com queixa de aparecimento das mamas há 14 meses. Sempre foi a mais alta das amigas. Mãe menstruou com 10 anos e tia materna com 11 anos. Ao exame: Estatura no p75 e Peso no p50. Canal de crescimento entre o p10 e p50, com média no p25. Está em M3P2 no estadiamento de Tanner. Traz resultado de idade óssea de 10 anos (estatura para IO no p25). O diagnóstico mais provável é:
Telarca < 8 anos + Idade Óssea avançada + Velocidade de Crescimento ↑ = Puberdade Precoce Central.
A puberdade precoce central é decorrente da ativação prematura do eixo H-H-G, resultando em caracteres sexuais secundários, avanço da idade óssea e perda do potencial de estatura final.
A puberdade precoce em meninas é definida pelo aparecimento de caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos de idade. A forma central (idiopática em até 90% das meninas) reflete a reativação prematura dos pulsos de GnRH. O quadro clínico clássico envolve telarca (M2 ou superior), seguida de pubarca e aceleração da velocidade de crescimento. O diagnóstico é corroborado pelo avanço da idade óssea e pela detecção de níveis puberais de gonadofinas. A avaliação por imagem do sistema nervoso central é recomendada em casos selecionados para excluir lesões estruturais, embora seja menos frequente em meninas do que em meninos com PPC.
A puberdade precoce central (PPC) é GnRH-dependente, apresentando níveis de LH basais ou pós-estímulo elevados, indicando ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Já a puberdade precoce periférica (PPP) é GnRH-independente, com LH suprimido e produção de esteroides sexuais por gônadas, adrenais ou fontes externas. Na PPC, o desenvolvimento segue a sequência isossexual normal, enquanto na PPP pode haver virilização ou desenvolvimento heterossexual.
O avanço da idade óssea (geralmente > 1 ano em relação à idade cronológica) é um marcador de exposição prolongada aos esteroides sexuais. Na puberdade precoce, o estrogênio acelera a maturação das epífises ósseas, levando a um fechamento prematuro e, consequentemente, a uma estatura final adulta inferior ao potencial genético, apesar da criança ser temporariamente mais alta que seus pares.
O tratamento com análogos de GnRH de ação prolongada (como a leuprorelina) está indicado na PPC progressiva para bloquear o eixo hormonal, estabilizar ou regredir os caracteres sexuais e, principalmente, lentificar a maturação óssea para preservar a estatura final. A decisão baseia-se na idade de início, na velocidade de progressão da puberdade e na previsão de perda estatural significativa.
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