UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
Uma menina de sete anos de idade foi levada a um pediatra porque a mãe havia observado aumento das mamas da criança seguido pelo aparecimento de pilificação pubiana, fatos esses ocorridos nos últimos 3 meses anteriores à consulta. Não havia relato de metrorragia. A menina pesava 25 kg (Z Score +1) e media 125 cm (Z Score +1). No exame físico, o médico observou aumento da aréola e da papila, sem separação do contorno da mama, e pelugem fina, longa e pouco escura na linha central da região pubiana. O restante do exame físico somático e o exame neurológico resultaram normais. O valor do nível de LH após estímulo com GnRH foi de 6 UI/L. Com base nesse caso clínico, julgue o item que se segue. Nessa criança, o estagiamento do desenvolvimento puberal segundo Tanner é M4P3.
M2 = Broto mamário; P2 = Pelos finos em grandes lábios. LH > 5 UI/L pós-GnRH → Puberdade Central.
O estadiamento clínico descrito (aumento de aréola sem separação de contorno e pelos finos centrais) corresponde a Tanner M2P2. O LH elevado confirma ativação do eixo HPO.
A puberdade precoce central (PPC) resulta da ativação prematura do gerador de pulsos do GnRH. O diagnóstico clínico baseia-se na progressão dos caracteres sexuais secundários seguindo a escala de Tanner. Em meninas, o marco inicial é a telarca (M2). O acompanhamento da velocidade de crescimento e da idade óssea é crucial, pois a exposição precoce aos esteroides sexuais pode levar ao fechamento prematuro das epífises ósseas e baixa estatura final. O tratamento de escolha para PPC são os análogos de GnRH de ação prolongada, que promovem a dessensibilização hipofisária e a regressão dos sinais puberais.
O estágio M2 de Tanner, conhecido como telarca, é caracterizado pelo aparecimento do broto mamário. Clinicamente, observa-se uma pequena elevação da mama e da papila, com aumento do diâmetro areolar. É o primeiro sinal visível da puberdade feminina e deve ser diferenciado da adipomastia. No caso clínico, a descrição de aumento da aréola e papila sem separação de contornos confirma o estágio M2, invalidando a afirmação de M4.
O teste de estímulo com GnRH (ou análogos de GnRH) é fundamental para diferenciar a puberdade precoce central (dependente de gonadotrofina) da periférica. Um pico de LH superior a 5-7 UI/L (dependendo do ensaio) indica ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. No caso apresentado, o valor de 6 UI/L confirma a etiologia central da puberdade precoce na criança de sete anos.
Tradicionalmente, a puberdade precoce em meninas é definida pelo aparecimento de caracteres sexuais secundários (telarca ou pubarca) antes dos 8 anos de idade. No caso em questão, a paciente tem 7 anos e apresenta telarca e pubarca há 3 meses, o que justifica a investigação diagnóstica imediata para identificar a causa da ativação hormonal precoce.
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