UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023
Menina de 7 anos e 6 meses é levada por sua mãe à consulta de retorno. A mãe refere que a menina ganhou peso e apresentou regressão do comportamento durante a pandemia de COVID-19 e que, há seis meses, observou o desenvolvimento de broto mamário. Além do comportamento mais infantil, a menina ficou muito chorosa e preocupada que sua mãe morresse. A mãe, que é faxineira, costuma deixar a menina aos cuidados de uma vizinha que tem dois filhos adolescentes. O exame físico mostra mamas Tanner III, pelos pubianos Tanner II, IMC acima do percentil 90. Os exames solicitados na primeira consulta mostram idade óssea de 10 anos, LH acima da faixa pré-puberal, útero de 7cm³ e microcistos nos ovários. Em relação ao caso, o diagnóstico mais provável é de puberdade:
Puberdade Precoce Central: mamas Tanner III, pelos Tanner II, idade óssea > cronológica, LH > pré-puberal, útero > 4cm³.
A puberdade precoce central é caracterizada pela ativação prematura do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, levando a sinais puberais antes dos 8 anos em meninas, com risco de baixa estatura final e impactos psicossociais.
A puberdade precoce central (PPC), também conhecida como puberdade precoce verdadeira, é definida pela ativação prematura do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, resultando no desenvolvimento de características sexuais secundárias antes dos 8 anos em meninas e 9 anos em meninos. Em meninas, o primeiro sinal geralmente é o desenvolvimento do broto mamário (telarca), seguido pelo aparecimento de pelos pubianos (pubarca) e, eventualmente, menarca. O caso clínico da menina de 7 anos e 6 meses com mamas Tanner III, pelos pubianos Tanner II, idade óssea de 10 anos, LH acima da faixa pré-puberal e útero de 7cm³ é altamente sugestivo de PPC. O diagnóstico da PPC é confirmado por uma combinação de achados clínicos, radiológicos e laboratoriais. A idade óssea avançada em relação à idade cronológica é um marcador importante da progressão puberal. Níveis elevados de LH (basal ou após estímulo com GnRH) indicam a ativação do eixo. A ultrassonografia pélvica pode revelar aumento do volume uterino (> 4 cm³) e ovários com múltiplos folículos, confirmando a estimulação gonadal. É crucial diferenciar a PPC de variantes incompletas, como a telarca ou adrenarca isoladas, que não envolvem a ativação completa do eixo. As implicações da PPC são significativas e incluem o risco de prejuízo na estatura adulta final devido ao fechamento precoce das epífises ósseas, menarca precoce, e impactos psicossociais como baixa autoestima, bullying e maior vulnerabilidade a situações de abuso sexual e gestação precoce. O tratamento com análogos de GnRH visa suprimir o eixo e retardar a progressão puberal, permitindo que a criança atinja uma estatura final mais próxima do seu potencial genético e tenha um desenvolvimento psicossocial mais adequado.
O diagnóstico é feito pela presença de sinais puberais antes dos 8 anos (broto mamário), idade óssea avançada, níveis de LH basais ou estimulados acima da faixa pré-puberal e ultrassonografia pélvica com útero > 4cm³ e/ou ovários com microcistos.
Os riscos incluem prejuízo na estatura adulta final devido ao fechamento precoce das epífises, menarca precoce, impactos psicossociais (bullying, ansiedade), e maior risco de abuso sexual e gestação precoce.
A idade óssea é um indicador da maturação esquelética. Em casos de puberdade precoce, ela está avançada em relação à idade cronológica, indicando um potencial de crescimento reduzido e fechamento epifisário precoce.
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