FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Menina de 7 anos com quadro de telarca e pubarca há 8 meses, associado à odor axilar. Família notou mudança de comportamento e perda de roupas e calçados de forma acelerada. Nega queixas neurológicas e oftalmológicas. Ao exame físico: BEG, TannerM3P2, estatura no percentil 95. Exames: Raio-X de idade óssea de 10 anos, LH=0,2U/L (valor pré-puberal <0,3), FSH = 3,5 U/L (valor pré-puberal < 3,5) estradiol=19(nl < 20), eultrassom da Pelve com ovários aumentados para idade. Qual hipótese diagnóstica econduta?
Telarca + Idade óssea avançada + LH basal limítrofe → Realizar teste de estímulo com GnRH.
A presença de caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos em meninas, associada ao avanço da idade óssea, sugere puberdade precoce central, exigindo confirmação pelo teste de estímulo com GnRH.
A puberdade precoce central (PPC) resulta da ativação prematura do gerador de pulsos do GnRH no hipotálamo. Em meninas, a maioria dos casos é idiopática, mas a investigação por imagem (RNM de sela túrcica) é mandatória em casos de evolução rápida ou sinais neurológicos para excluir lesões do SNC. O diagnóstico diferencial com a puberdade precoce periférica é fundamental, pois nesta última o eixo H-H-G está suprimido (LH baixo que não responde ao GnRH) e a fonte de esteroides é externa ou gonadal/adrenal independente de gonadotrofinas. O caso clínico apresentado mostra uma ativação clara do eixo, com repercussão sistêmica (estatura e idade óssea), necessitando do teste de estímulo para confirmação diagnóstica antes do início da terapia de bloqueio.
A puberdade precoce é definida pelo aparecimento de caracteres sexuais secundários (telarca ou pubarca) antes dos 8 anos de idade em meninas. Além da clínica, a investigação deve demonstrar aceleração da velocidade de crescimento e avanço da idade óssea (geralmente > 1-2 anos em relação à idade cronológica), o que sinaliza a exposição prolongada aos esteroides sexuais.
O teste de estímulo com GnRH (ou análogo de ação rápida) avalia a resposta da hipófise. Um pico de LH > 5 UI/L (em ensaios imunoquimioluminométricos) é geralmente considerado diagnóstico de ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, confirmando a Puberdade Precoce Central. Valores basais de LH já elevados (> 0,3 - 0,6 UI/L) podem dispensar o teste em alguns protocolos.
O tratamento visa bloquear a secreção de gonadotrofinas através da dessensibilização dos receptores hipofisários. Os principais objetivos são: preservar a estatura final (evitando o fechamento precoce das epífises ósseas) e reduzir o impacto psicossocial da maturação sexual e menarca precoces. O tratamento é mantido até que a idade óssea e a maturidade social permitam a progressão puberal normal.
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