Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
Escolar, sexo feminino, 7 anos e 4 meses de idade, previamente hígida, é trazida à consulta de rotina com relato que apresenta desenvolvimento mamário há 5 meses. Não apresenta outras queixas. Faz uso diário de vitamina D, 600 UI/dia, nega uso de qualquer outra medicação, seja sistêmica ou tópica. Ao exame clínico, nota-se estágio puberal M2P1. Estatura acima do percentil 97 pelas curvas adequadas da OMS, peso entre percentil 85 e 97. Nota-se que houve ganho de 4 cm de estatura nos últimos 6 meses. Realizada radiografia de punho esquerdo para determinação de idade óssea, laudo compatível com 10 anos. Com base nesses achados, o diagnóstico mais provável é:
Telarca < 8 anos + Idade Óssea avançada + ↑ Velocidade Crescimento = Puberdade Precoce Central.
A puberdade precoce central decorre da ativação prematura do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, caracterizada por caracteres sexuais secundários, avanço da idade óssea e aceleração do crescimento.
A puberdade precoce central (PPC) é causada pela ativação prematura do gerador de pulsos do GnRH no hipotálamo. Em meninas, a maioria dos casos é idiopática, mas requer investigação para excluir lesões no Sistema Nervoso Central. O quadro clínico clássico envolve o aparecimento de broto mamário antes dos 8 anos, seguido por pubarca e aceleração do crescimento (estirão precoce). O diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais que demonstram níveis de LH em patamar puberal (basal ou após estímulo com GnRH) e exames de imagem como a radiografia de punho para idade óssea. O tratamento de escolha são os análogos de GnRH de ação prolongada, que promovem a dessensibilização hipofisária, bloqueando a secreção de gonadotrofina e preservando o potencial de estatura final.
Em meninas, a puberdade é considerada precoce quando o desenvolvimento de caracteres sexuais secundários (geralmente a telarca, estágio M2 de Tanner) ocorre antes dos 8 anos de idade. No caso clínico apresentado, a paciente tem 7 anos e 4 meses, enquadrando-se no critério cronológico. É fundamental diferenciar se essa precocidade é central (dependente de GnRH) ou periférica (independente de GnRH), ou ainda uma variante benigna do desenvolvimento como a telarca isolada.
A idade óssea reflete a exposição biológica aos esteroides sexuais. Na puberdade precoce verdadeira, os estrogênios aceleram a maturação das epífises ósseas. Um avanço da idade óssea superior a 1-2 anos em relação à idade cronológica, associado ao aumento da velocidade de crescimento, indica que o processo é progressivo e impactará a estatura final da paciente devido ao fechamento precoce das epífises, diferenciando-o de variantes não progressivas.
A telarca isolada é uma variante da normalidade onde há desenvolvimento mamário sem outros sinais de ativação do eixo hormonal. Nela, a velocidade de crescimento é normal para a idade, a idade óssea é compatível com a idade cronológica e não há progressão para outros estágios de Tanner ou menarca precoce. Já na Puberdade Precoce Central, observamos o 'pacote' completo: telarca, aceleração do crescimento linear e avanço significativo da idade óssea.
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