SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2026
Um menino de 8 anos é levado à consulta por apresentar aumento testicular, odor axilar e crescimento acelerado há 6 meses. Ao exame físico, apresenta testículos simétricos, com volume de 6 mL, estadiamento P2. A velocidade de crescimento é de 10 cm/ano e a idade óssea corresponde a 10 anos. A dosagem de LH é de 9,1 UI/L e FSH de 3,2 UI/L. Não há queixas neurológicas, alterações cognitivas ou histórico familiar de puberdade precoce. Qual é a conduta mais apropriada nesse caso?
Menino com Puberdade Precoce Central (LH > 0,1-0,3 UI/L) → RM de crânio obrigatória para excluir lesão de SNC.
A puberdade precoce central em meninos é frequentemente patológica (orgânica), exigindo neuroimagem mesmo na ausência de sintomas neurológicos.
A Puberdade Precoce Central (PPC) decorre da ativação prematura do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Em meninos, o quadro clínico clássico envolve o aumento do volume testicular bilateral (> 4 mL), aceleração do crescimento e avanço da idade óssea. O diagnóstico laboratorial baseia-se em níveis elevados de LH (basal ou pós-estímulo). A investigação etiológica é crucial, pois, enquanto em meninas a causa é idiopática em até 90% dos casos, em meninos a probabilidade de uma lesão estrutural no Sistema Nervoso Central (como hamartomas, gliomas ou germinomas) é muito elevada. Por isso, a RM de crânio é o padrão-ouro e obrigatória na investigação inicial de PPC no sexo masculino.
O diagnóstico de puberdade precoce central (PPC) é sugerido por um LH basal superior a 0,1 a 0,3 UI/L (dependendo do ensaio) ou um pico de LH após estímulo com GnRH superior a 5 UI/L. No caso clínico, o LH de 9,1 UI/L é francamente puberal, confirmando a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Em meninos, o aumento do volume testicular (> 4 mL) é o primeiro sinal clínico de ativação central, diferenciando-se da puberdade periférica onde os testículos costumam ser pequenos ou assimétricos.
Diferente das meninas, onde a maioria dos casos de PPC é idiopática, em meninos a prevalência de causas orgânicas (tumores, hamartomas, malformações) é significativamente maior, chegando a 40-75% em algumas séries. Portanto, as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria e de Endocrinologia recomendam a realização de Ressonância Magnética de sela túrcica e crânio em todos os pacientes do sexo masculino com diagnóstico confirmado de PPC, independentemente da presença de sinais neurológicos focais.
Os principais sinais incluem o aparecimento de caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos em meninas e 9 anos em meninos. Além do desenvolvimento físico (mamas ou testículos), deve-se observar a aceleração da velocidade de crescimento (acima do percentil para a idade) e o avanço da idade óssea em relação à idade cronológica. O odor axilar e a pubarca isolados podem representar apenas adrenarca precoce, mas o aumento testicular em meninos confirma a ativação do eixo central.
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