IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2021
Clarissa, 6 anos, foi levada à consulta por sua mãe. Broto mamário apareceu há 6 meses e agora está com pelos nos grandes lábios. Nega outras queixas. Nega sangramento vaginal. Ao exame: Tanner M3P2, altura 1,40 (acima do percentil 95) PA: 100x60mmhg, FC 80 bpm. Aparelho Respiratório: Murmúrio Vesicular Universalmente Audível sem Ruídos Adventícios; Aparelho Cardiovascular: ritmo cardíaco regular, dois tempos; abdômen indolor e sem visceromegalias. Idade óssea de 10 anos. Qual o provável diagnóstico da puberdade precoce de Clarissa?
Puberdade precoce central → ativação do eixo HPG, Tanner avançado, idade óssea > idade cronológica.
A puberdade precoce central é caracterizada pela ativação prematura do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (HPG), resultando em desenvolvimento puberal completo e progressivo. A idade óssea avançada é um forte indicativo de progressão e necessidade de tratamento.
A puberdade precoce central (PPC) é definida pela ativação prematura do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (HPG) antes dos 8 anos em meninas e 9 anos em meninos, resultando no desenvolvimento de caracteres sexuais secundários progressivos. É a forma mais comum de puberdade precoce em meninas e, embora muitas vezes idiopática, em meninos requer investigação para causas orgânicas, como tumores do SNC. A importância clínica reside no impacto psicossocial, na redução da estatura final devido ao fechamento precoce das epífises e no risco de problemas de saúde reprodutiva a longo prazo. O diagnóstico da PPC baseia-se na avaliação clínica (estadiamento de Tanner), exames laboratoriais (níveis de LH, FSH, estradiol ou testosterona, teste de estímulo com GnRH) e radiológicos (idade óssea). A idade óssea avançada em relação à idade cronológica é um marcador crucial de progressão puberal e de comprometimento da estatura final. A presença de telarca e pubarca progressivas, juntamente com um teste de GnRH positivo (LH > FSH ou LH > 5 UI/L), confirma a ativação do eixo HPG. O tratamento da PPC visa interromper a progressão puberal, preservar a estatura final e minimizar o impacto psicossocial. A terapia de escolha são os análogos de GnRH, que suprimem a secreção de gonadotrofinas e, consequentemente, a produção de esteroides sexuais. O tratamento é mantido até a idade cronológica apropriada para o início da puberdade, geralmente por volta dos 11-12 anos, quando é descontinuado para permitir a retomada do desenvolvimento puberal.
Os sinais incluem desenvolvimento de broto mamário (telarca), pelos pubianos (pubarca), crescimento acelerado e avanço da idade óssea, seguindo a sequência normal da puberdade.
A puberdade precoce central é GnRH-dependente, com ativação do eixo HPG e desenvolvimento completo. A periférica é GnRH-independente, geralmente com apenas um tipo de caráter sexual secundário e sem ativação do eixo.
A idade óssea avançada indica exposição prolongada a esteroides sexuais e prediz um comprometimento da altura final, sendo um critério importante para o diagnóstico e indicação de tratamento.
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