SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022
Uma menina de seis anos de idade preocupou sua mãe por já ter iniciado a menstruação e por ter apresentado aumento das mamas. Com isso, foi levada ao ginecologista, que notou, além de mamas em M3, pelos pubianos e axilares em estágio IV de Turner. A genitália externa, apesar de mais desenvolvida, não apresentava alterações importantes. As ultrassonografias pélvica e abdominal, bem como a ressonância de sistema nervoso central revelaram-se normais. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o tratamento mais adequado para a paciente.
Puberdade precoce central idiopática em < 8 anos → Análogo de GnRH é o tratamento de escolha.
A puberdade precoce central (PPC) é caracterizada pela ativação prematura do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Quando idiopática e sem outras alterações, o tratamento com análogos de GnRH é o mais adequado para suprimir a progressão puberal e preservar a estatura final.
A puberdade precoce central (PPC) é uma condição endócrina pediátrica caracterizada pelo desenvolvimento de caracteres sexuais secundários antes da idade esperada (8 anos em meninas, 9 anos em meninos), devido à ativação prematura do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. É mais comum em meninas e, na maioria dos casos, é idiopática, ou seja, sem causa subjacente identificável após investigação completa. A importância clínica reside no impacto na estatura final e nos aspectos psicossociais da criança. O diagnóstico da PPC baseia-se na avaliação clínica dos estágios de Tanner, idade óssea avançada e, crucialmente, no teste de estímulo com GnRH, que revela uma resposta puberal de LH. Exames de imagem, como ultrassonografia pélvica para avaliar o volume ovariano e uterino, e ressonância magnética de crânio para excluir lesões do sistema nervoso central, são fundamentais para diferenciar a PPC idiopática de causas secundárias. No caso apresentado, a normalidade dos exames de imagem aponta para uma causa idiopática. O tratamento de escolha para a PPC é a administração de análogos de GnRH (como leuprolida ou triptorrelina), que suprimem a secreção de gonadotrofinas, interrompendo a progressão da puberdade. Este tratamento visa preservar a estatura final, permitindo um maior tempo de crescimento antes do fechamento epifisário, e abordar os aspectos psicossociais relacionados ao desenvolvimento precoce. A conduta expectante não é apropriada, e outras terapias como inibidores de aromatase ou contraceptivos hormonais não são indicadas para a PPC.
O diagnóstico de puberdade precoce central (PPC) é feito pela presença de caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos em meninas e 9 anos em meninos, associado à ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Isso é confirmado por níveis elevados de gonadotrofinas (LH e FSH) após teste de estímulo com GnRH, com predomínio de LH, e idade óssea avançada.
Os análogos de GnRH atuam dessensibilizando os receptores de GnRH na hipófise, suprimindo a secreção de LH e FSH. Isso interrompe a progressão da puberdade, retarda o fechamento das epífises ósseas e, consequentemente, melhora a estatura final da criança, além de aliviar o estresse psicossocial.
A PPC é diferenciada de variantes da puberdade (telarca ou pubarca precoce isolada) pela progressão dos caracteres sexuais e pela ativação do eixo. É diferenciada da puberdade precoce periférica pela ausência de ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal e pela presença de fontes extragonadais ou extraglandulares de hormônios sexuais, como tumores adrenais ou ovarianos, que devem ser investigados por exames de imagem.
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