Unimed-Rio - Cooperativa de Trabalho Médico (RJ) — Prova 2022
M.M.S. com 06 anos, 11 meses e 29 dias, trazida pela tia à consulta médica por aumento das mamas, fluxo vaginal aquoso e inodoro, de pequena monta há 30 dias com aumento de pelos genitais. Refere que a menor cresceu muito há 06 meses, sendo a maior de sua turma. Relata que as mamas aumentaram desde janeiro de 2021. Ao exame telarca e pubarca presentes com pelos pubianos densos cobrindo toda a vulva (Tanner III), abdome de aspecto normal, vestíbulo com hímen integro, circular e trófico Altura acima do percentil 95 para a idade. No retorno, trouxe Rx de mãos e punhos com idade óssea de 09 anos, ultrassonografia abdominal normal e pélvica de com útero de 4,5 cm, ovários homogêneos, o direito com 1,96 cm³, o esquerdo tem 1,97 cm³. A dosagem de LH basal por IFMA foi de 0.8 UI/L, 17-OH progesterona de 150 ng/dl e TSH normal. A ressonância magnética do crânio está agendada para fim de janeiro de 2022, sob sedação. A hipótese diagnóstica mais adequada é:
Menina < 8a com puberdade precoce e LH basal sugestivo de ativação do eixo → PPC; RM crânio para excluir lesão SNC.
A paciente apresenta sinais de puberdade precoce (idade < 8 anos, telarca/pubarca Tanner III, idade óssea avançada, útero/ovários aumentados). O LH basal de 0.8 UI/L, embora limítrofe, sugere ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, caracterizando puberdade precoce central. A RM de crânio é fundamental para investigar causas orgânicas no SNC, mesmo que a maioria dos casos em meninas seja idiopática.
A puberdade precoce é definida como o desenvolvimento de características sexuais secundárias antes dos 8 anos em meninas e 9 anos em meninos. É um distúrbio endócrino que pode ter implicações significativas na altura final, desenvolvimento psicossocial e saúde reprodutiva. A puberdade precoce central (PPC) é a forma mais comum em meninas, resultando da ativação prematura do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. A fisiopatologia da PPC envolve a liberação pulsátil de GnRH pelo hipotálamo, levando à secreção de gonadotrofinas (LH e FSH) pela hipófise, que por sua vez estimulam os ovários a produzir estrogênios. O diagnóstico baseia-se na avaliação clínica (estágios de Tanner, aceleração do crescimento), idade óssea avançada e exames hormonais (LH, FSH, estradiol). Um LH basal elevado ou um teste de estímulo com GnRH positivo confirmam a ativação central. A investigação da PPC inclui a ressonância magnética de crânio para excluir lesões do sistema nervoso central, como hamartomas hipotalâmicos, que são as causas mais comuns de PPC orgânica. Em meninas, a maioria dos casos de PPC é idiopática, mas a exclusão de patologias intracranianas é padrão. O tratamento visa interromper a progressão puberal e preservar a altura final, geralmente com análogos de GnRH.
O diagnóstico de puberdade precoce em meninas é feito quando há o aparecimento de caracteres sexuais secundários (telarca, pubarca) antes dos 8 anos de idade, acompanhado de aceleração do crescimento e avanço da idade óssea.
O LH basal é crucial: valores elevados ou um teste de GnRH positivo (LH > 5-8 UI/L) indicam puberdade precoce central (dependente de GnRH), enquanto valores suprimidos sugerem puberdade precoce periférica (independente de GnRH).
A RM de crânio é realizada para excluir lesões do sistema nervoso central, como hamartomas hipotalâmicos, tumores ou outras anomalias, que podem ser a causa da ativação prematura do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, embora a maioria seja idiopática em meninas.
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