SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Uma paciente de 12 anos de idade vai a consulta agendada em Unidade de Saúde da Família acompanhada pela mãe. A familiar demonstra preocupações quanto ao desenvolvimento da filha, alegando ser esta uma das mais baixas entre as respectivas colegas e que ainda não teve a primeira menstruação, a despeito de estar notando desenvolvimento das mamas há 10 meses, observando-se a presença de broto mamário ao exame físico. Refere-se, também, que a mãe está receosa de a filha vir a ser diagnosticada com síndrome dos ovários policísticos (SOP), tendo base tal preocupação em leitura de informações da internet em correlação com o fato de a filha apresentar acne facial, de ainda nunca ter menstruado e de possuir histórico familiar de primeiro grau de obesidade e diabetes mellitus tipo 2. Faz uso de metilfenidato 10 mg/dia por diagnóstico prévio de transtorno de deficit de atenção e hiperatividade, demonstrando manter atenção apenas para atividades do próprio interesse, sem, no entanto, apresentar histórico de baixo desempenho escolar ou prejuízo da vida social. Em avaliação ponderoestatural, verifica-se IMC de 21 kg/m², considerado adequado para a idade da paciente. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. Conforme a normalidade de crescimento e desenvolvimento previsto para o sexo feminino, é esperado que a paciente apresente pico da velocidade de crescimento em período de aproximadamente um ano após o aparecimento do broto mamário, período em que também se espera a menarca.
Pico de crescimento (M2-M3) precede a menarca (M4), ocorrendo ~2-2,5 anos após a telarca.
O estirão puberal feminino ocorre precocemente (Tanner M2-M3), enquanto a menarca é um evento tardio (Tanner M4), ocorrendo após a desaceleração do crescimento.
O desenvolvimento puberal feminino é orquestrado pela ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. A telarca é o marcador inicial na maioria das meninas, sinalizando o início da puberdade central. O estirão puberal é impulsionado pela ação conjunta do hormônio do crescimento (GH) e dos esteroides sexuais (estrogênio), atingindo seu ápice antes da menarca. A menarca ocorre quando os níveis de estrogênio são suficientes para promover a proliferação endometrial e sua subsequente descamação, geralmente após o pico de crescimento estatural. Compreender essa cronologia é essencial para tranquilizar famílias e identificar desvios da normalidade, como a puberdade precoce ou o atraso puberal. No caso clínico, a paciente está em desenvolvimento normal, com telarca há 10 meses e ainda sem menarca, o que é fisiológico.
A sequência clássica da puberdade feminina inicia-se com a telarca (aparecimento do broto mamário, Tanner M2), seguida pela pubarca (pelos pubianos). O pico de velocidade de crescimento (estirão) ocorre geralmente entre os estágios M2 e M3 de Tanner. Por fim, ocorre a menarca (primeira menstruação), que é um evento tardio, situando-se habitualmente no estágio M4 de Tanner, cerca de 2 a 2,5 anos após o início da telarca.
O pico de velocidade de crescimento nas meninas ocorre precocemente na puberdade, geralmente no estágio M2 ou M3 de Tanner. Isso difere dos meninos, cujo estirão é mais tardio (Tanner G4). No momento da menarca, a menina já passou pelo seu PVC e a velocidade de crescimento já está em declínio, restando poucos centímetros (cerca de 5 a 7 cm) de crescimento residual até o fechamento das epífises.
Não necessariamente. O diagnóstico de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) em adolescentes é desafiador, pois irregularidade menstrual e acne são comuns nos primeiros anos pós-menarca. Critérios rigorosos exigem hiperandrogenismo clínico/laboratorial e irregularidade menstrual persistente após 2 anos da menarca. A acne isolada e a ausência de menarca aos 12 anos (dentro da normalidade) não confirmam SOP.
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