UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Homem, 68 anos, que já apresentou um episódio de cólica biliar não complicada, tem indicação de colecistectomia eletiva por cálculos na vesícula. No momento, assintomático. Tem HAS controlada com losartana. Refere apendicectomia aos 25 anos, sem intercorrências. Na consulta para avaliação do risco cirúrgico, exame físico normal. Radiografia do tórax e ECG em repouso normais; hemograma, glicemia e bioquímica normais. Coagulograma: tempo de atividade da protrombina (TAP) = 11 segundos; índice internacional normalizado (INR) = 0,96; tempo de tromboplastina parcial ativada (PTTa) = 46 segundos (paciente) /31 segundos (controle); relação paciente/controle = 1,48. Pode-se afirmar que, neste momento, a melhor conduta é:
PTTa prolongado isolado + TAP/INR normal → Investigar via intrínseca e anticoagulante lúpico.
Um PTTa prolongado isoladamente, com TAP e INR normais, indica um distúrbio na via intrínseca da coagulação. A investigação deve incluir a pesquisa de anticoagulante lúpico e a dosagem dos fatores da via intrínseca (VIII, IX, XI, XII) para determinar a causa e o risco hemorrágico.
A avaliação pré-operatória de distúrbios da coagulação é crucial para prevenir complicações hemorrágicas. O coagulograma, que inclui o Tempo de Atividade da Protrombina (TAP) e o Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (PTTa), é uma ferramenta essencial para rastrear essas alterações. Um PTTa prolongado isoladamente, com TAP e INR normais, sugere um defeito na via intrínseca da coagulação. Essa via envolve os fatores XII, XI, IX e VIII. Além da deficiência de fatores, a presença de um anticoagulante lúpico (um anticorpo antifosfolípide) pode prolongar o PTTa in vitro, mas paradoxalmente está associado a um risco aumentado de trombose in vivo. A conduta adequada para um PTTa prolongado isolado é investigar a causa antes de qualquer procedimento cirúrgico eletivo. Isso inclui a pesquisa de anticoagulante lúpico e a dosagem dos fatores da via intrínseca. A identificação da causa é fundamental para avaliar o risco de sangramento e planejar a profilaxia ou tratamento adequado, garantindo a segurança do paciente durante a cirurgia.
Um PTTa prolongado com TAP e INR normais indica um distúrbio isolado na via intrínseca da coagulação. Isso pode ser devido à deficiência de um ou mais fatores da via intrínseca (XII, XI, IX, VIII) ou à presença de um inibidor, como o anticoagulante lúpico.
A via intrínseca da coagulação envolve os fatores XII (Hageman), XI (antecedente da tromboplastina plasmática), IX (Christmas) e VIII (anti-hemofílico A). A deficiência ou disfunção de qualquer um desses fatores pode levar ao prolongamento do PTTa.
O anticoagulante lúpico é um anticorpo antifosfolípide que, in vitro, interfere nos testes de coagulação dependentes de fosfolipídios, como o PTTa, causando seu prolongamento. Paradoxalmente, in vivo, ele está associado a um estado de hipercoagulabilidade e risco aumentado de trombose.
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