HSA e Ptose Palpebral: Lesão do Nervo Oculomotor

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente de 45 anos de idade, tabagista, sem outros antecedentes mórbidos, deu entrada no pronto-socorro, por demanda espontânea, após apresentar quadro clínico de cefaleia súbita de forte intensidade, seguida de perda momentânea da consciência e vômitos. Após algumas horas, desenvolveu queda palpebral unilateral, embora estivesse lúcida e com rigidez de nuca. Foi feita a hipótese diagnóstica de hemorragia subaracnóidea espontânea, por provável rotura de aneurisma cerebral, e solicitada uma avaliação da neurocirurgia. Com base nesse caso hipotético, é correto afirmar que a presença de ptose palpebral sugere

Alternativas

  1. A) lesão do nervo óptico.
  2. B) comprometimento do nervo oculomotor. 
  3. C) presença de hematoma intracraniano. 
  4. D) trombose de artéria carótida interna. 
  5. E) oclusão da veia central da retina. 

Pérola Clínica

HSA + ptose unilateral → comprometimento do nervo oculomotor (III par), frequentemente por aneurisma de comunicante posterior.

Resumo-Chave

A ptose palpebral unilateral, especialmente associada a midríase, em um contexto de hemorragia subaracnoidea, é um sinal clássico de compressão do nervo oculomotor (III par craniano), frequentemente causada por aneurismas da artéria comunicante posterior. A compressão afeta as fibras parassimpáticas que inervam o esfíncter da pupila e o músculo levantador da pálpebra.

Contexto Educacional

A hemorragia subaracnoidea (HSA) é uma emergência neurológica grave, frequentemente causada pela ruptura de um aneurisma cerebral sacular. Caracteriza-se por um sangramento no espaço subaracnoideo, resultando em sintomas como cefaleia súbita e intensa, náuseas, vômitos, rigidez de nuca e, em casos mais graves, perda de consciência. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para o prognóstico do paciente. A fisiopatologia da ptose palpebral em um contexto de HSA por aneurisma está ligada à compressão do nervo oculomotor (III par craniano). Aneurismas da artéria comunicante posterior são classicamente associados a essa apresentação, pois sua localização anatômica permite que, ao se expandirem ou romperem, comprimam diretamente o nervo. O nervo oculomotor é responsável pela inervação do músculo levantador da pálpebra superior e de vários músculos extraoculares, além de carregar fibras parassimpáticas para a pupila. O diagnóstico de HSA é inicialmente feito por tomografia computadorizada de crânio sem contraste. Se negativa e a suspeita clínica for alta, a punção lombar para análise do líquor é indicada. O tratamento envolve estabilização do paciente, controle da pressão arterial, prevenção de ressangramento (clipagem cirúrgica ou embolização endovascular do aneurisma) e manejo de complicações como vasoespasmo. A presença de ptose palpebral é um sinal focal importante que direciona a investigação para a localização do aneurisma.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta de uma hemorragia subaracnoidea por aneurisma?

Os sinais de alerta incluem cefaleia súbita e de forte intensidade ("a pior dor de cabeça da vida"), náuseas, vômitos, rigidez de nuca, fotofobia, perda de consciência e déficits neurológicos focais, como a ptose palpebral.

Por que a ptose palpebral unilateral ocorre na hemorragia subaracnoidea?

A ptose palpebral unilateral, especialmente quando associada à midríase, sugere compressão do nervo oculomotor (III par craniano). Isso é frequentemente causado por um aneurisma da artéria comunicante posterior que se rompe e sangra, comprimindo o nervo adjacente.

Como diferenciar a ptose por lesão do III nervo de outras causas?

A ptose por lesão do III nervo geralmente vem acompanhada de midríase (pupila dilatada) e desvio do olho para baixo e para fora. Em contraste, a Síndrome de Horner, que também causa ptose, apresenta miose (pupila contraída) e anidrose facial.

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