CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2020
Considerando a cirurgia representada na figura a seguir, em qual dos pacientes abaixo, se tem maior probabilidade de realizá-la?
Função do elevador < 4mm → Suspensão frontal; > 8mm → Ressecção do elevador ou Müller.
A escolha da técnica cirúrgica para correção de ptose palpebral é determinada principalmente pela função do músculo levantador da pálpebra superior (MLPS).
A avaliação pré-operatória da ptose palpebral exige a mensuração precisa da fenda palpebral, da distância margem-reflexo (MRD1) e, crucialmente, da excursão do músculo levantador. A função do elevador é medida imobilizando-se o músculo frontal com o polegar e observando o deslocamento da margem palpebral da visão extrema para baixo até a visão extrema para cima. Pacientes com função excelente (>10mm) ou boa (8-10mm) são candidatos ideais para ressecções de aponeurose ou conjuntivo-müllerectomias. Pacientes com função moderada (5-7mm) requerem ressecções maiores do MLPS. Já a função pobre (<4mm) é o divisor de águas que aponta para a necessidade de suspensão frontal, técnica que utiliza a força do músculo frontal para compensar a falência do elevador.
A suspensão frontal é indicada quando a função do músculo levantador da pálpebra superior (MLPS) é pobre, geralmente considerada menor que 4 mm. Nesses casos, a pálpebra é conectada ao músculo frontal através de um 'sling' (fáscia lata ou material sintético), permitindo que a elevação palpebral ocorra pela ação da sobrancelha. É a técnica de escolha em ptoses congênitas graves com função muscular mínima.
A ressecção do elevador consiste no encurtamento do músculo levantador ou de sua aponeurose, sendo eficaz apenas quando o músculo ainda possui função residual razoável (acima de 5 mm). Já a suspensão frontal ignora a ação do MLPS e utiliza o músculo frontal como motor da pálpebra, sendo reservada para casos de função muscular precária ou nula.
O padrão-ouro é a fáscia lata autógena, colhida da coxa do paciente, devido à sua biocompatibilidade e durabilidade. No entanto, em crianças muito pequenas (onde a fáscia lata ainda não está bem desenvolvida) ou em casos específicos, podem ser utilizados materiais sintéticos como fios de silicone, politetrafluoretileno (PTFE/Gore-Tex) ou fios de nylon/prolene.
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