CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2009
O achado de artrópodes e seus ovos nos cílios é diagnóstico de:
Presença de artrópodes e lêndeas nos cílios → Diagnóstico de Ptiríase palpebrarum (Pthirus pubis).
A ptiríase palpebrarum é causada pelo Pthirus pubis (chato). Diferente do piolho da cabeça, ele tem preferência por pelos pubianos e cílios devido ao espaçamento dos pelos.
A ptiríase palpebrarum é uma condição oftalmológica subdiagnosticada que simula blefarites comuns. O reconhecimento dos sinais patognomônicos — artrópodes e ovos (lêndeas) nos cílios — é crucial para o tratamento direcionado. A fisiopatologia envolve a fixação do Pthirus pubis, que utiliza suas garras adaptadas para se prender a pelos com maior diâmetro e menor densidade, como os pubianos e ciliares. Clinicamente, o paciente apresenta prurido palpebral persistente e sensação de corpo estranho. A presença de manchas azuladas na pele (maculae caeruleae) devido à picada do inseto é rara nas pálpebras, mas possível. O manejo deve ser sistêmico, abordando não apenas a infestação ocular, mas também a possível fonte de transmissão e a triagem para outras ISTs, garantindo uma abordagem integral à saúde do paciente.
A ptiríase palpebrarum é uma infestação parasitária dos cílios causada especificamente pelo Pthirus pubis, popularmente conhecido como 'chato'. Embora este artrópode seja tipicamente encontrado na região pubiana, ele pode migrar para os cílios em adultos (frequentemente por contato sexual ou fômites) ou em crianças (podendo ser um sinal de alerta para abuso sexual). O parasita se fixa à base do cílio e deposita seus ovos (lêndeas), causando irritação local, prurido intenso e, por vezes, uma blefarite marginal crônica com detritos acastanhados que são, na verdade, as fezes do parasita.
O diagnóstico é eminentemente clínico, realizado através do exame em lâmpada de fenda, onde se observa o parasita adulto aderido à base dos cílios e as lêndeas firmemente presas à haste do pelo. Deve-se diferenciar da blefarite seborreica, onde as escamas são gordurosas e não aderentes como as lêndeas, e da blefarite estafilocócica, que apresenta colaretes. A visualização direta do artrópode com suas garras características sob aumento confirma a ptiríase. É fundamental investigar outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) concomitantes, dada a natureza do agente etiológico.
O tratamento envolve a remoção mecânica cuidadosa dos parasitas e das lêndeas com pinça durante o exame biomicroscópico. Além disso, utiliza-se pomadas oclusivas (como vaselina estéril) que sufocam o parasita. Em casos mais extensos ou recalcitrantes, pode-se considerar o uso de ivermectina oral ou tratamentos tópicos específicos, embora muitos pediculicidas comuns sejam irritantes para a conjuntiva. É imperativo tratar os parceiros sexuais e higienizar roupas de cama e toalhas em altas temperaturas para evitar a reinfestação e a propagação do parasita.
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