INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Paciente com 17 anos de idade, primípara, encontra-se no 7° dia pós-parto e permanece internada no alojamento conjunto, acompanhando seu recém-nascido, em tratamento de sepse neonatal. Nesse período, a paciente começa a apresentar quadro de insônia, delírios de grandeza, alternados com manifestações paranoides. Diz que ouve vozes e vê sombras que querem pegá-la e trocar seu bebê. Durante o dia, apresenta agitação psicomotora ininterrupta. Ela não apresenta nenhum sintoma associado a infanticídio ou ideário negativo em relação à sua maternidade, mas diz que prefere morrer a ser "pega pelas sombras". A família nega qualquer quadro anterior semelhante. Baseado na sintomatologia apresentada, o diagnóstico é:
Delírios + Alucinações + Agitação no puerpério imediato = Psicose Pós-Parto (Emergência!).
A psicose pós-parto é uma emergência psiquiátrica grave com início súbito, caracterizada por perda de contato com a realidade e alto risco de infanticídio ou suicídio.
A psicose pós-parto é o transtorno psiquiátrico puerperal mais grave, ocorrendo em aproximadamente 1 a 2 por 1.000 partos. A etiologia é multifatorial, envolvendo quedas abruptas de hormônios esteroides após o parto, privação de sono e vulnerabilidade genética. É crucial diferenciar do 'Baby Blues' (disforia pós-parto), que atinge até 80% das mulheres, inicia-se no 3º dia e regride espontaneamente em duas semanas sem prejuízo funcional. A psicose, por outro lado, exige intervenção farmacológica agressiva e vigilância constante. O diagnóstico precoce salva vidas, prevenindo tragédias familiares decorrentes do juízo crítico prejudicado da paciente.
A psicose pós-parto manifesta-se geralmente nas primeiras duas semanas após o parto. Os sintomas cardinais incluem desorientação, confusão mental, insônia grave, agitação psicomotora, delírios (muitas vezes envolvendo o bebê) e alucinações auditivas ou visuais. Diferente da depressão pós-parto, há uma ruptura clara com a realidade. O quadro pode oscilar rapidamente entre momentos de lucidez e psicose franca, o que aumenta a periculosidade da condição.
Existe uma forte correlação epidemiológica e clínica entre a psicose pós-parto e o transtorno afetivo bipolar (TAB). Muitas mulheres que apresentam psicose no puerpério serão diagnosticadas posteriormente com TAB. O puerpério é considerado um período de vulnerabilidade extrema para descompensações maníacas ou mistas com características psicóticas em pacientes predispostas.
A conduta imediata é a internação psiquiátrica hospitalar. Devido ao alto risco de infanticídio (frequentemente motivado por delírios altruístas ou persecutórios) e suicídio, a segurança da mãe e do recém-nascido é a prioridade. O tratamento envolve o uso de antipsicóticos, estabilizadores de humor e, em casos graves ou refratários, a eletroconvulsoterapia (ECT) apresenta excelente resposta.
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