HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2025
Uma paciente de 31 anos de idade, com diagnóstico de lúpus eritematoso sistémico, submetida à pulsoterapia, apresenta alterações de comportamento: sente-se perseguida pelas enfermeiras e pelos colegas de quarto. Durante a noite, ficou agitada e tentou fugir do Hospital. Nesse caso, a PROVÁVEL situação clínica é:
Paciente com LES + pulsoterapia com psicose aguda → pensar em atividade da doença (neurolúpus) ou efeito adverso do corticoide.
Manifestações neuropsiquiátricas no Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) são um desafio diagnóstico. Podem ser causadas pela atividade da doença ou pelo tratamento, principalmente altas doses de corticoides. A diferenciação é crucial, pois o manejo é oposto: aumentar a imunossupressão para o neurolúpus e reduzir o corticoide na psicose corticoide.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica que pode afetar múltiplos órgãos, incluindo o sistema nervoso central (SNC), configurando o LES Neuropsiquiátrico (LESNP). As manifestações são diversas, variando de quadros sutis, como disfunção cognitiva, a eventos graves como convulsões e psicose. A importância clínica reside na alta morbidade associada e no desafio diagnóstico que representa. A psicose em um paciente com LES pode ter duas causas principais: atividade da própria doença (psicose lúpica) ou um efeito adverso do tratamento, especialmente a pulsoterapia com altas doses de glicocorticoides (psicose corticoide). A diferenciação é fundamental, pois as condutas são antagônicas. Na psicose lúpica, o tratamento envolve o aumento da imunossupressão. Na psicose induzida por corticoide, a conduta é a redução ou suspensão do fármaco, associada ao manejo sintomático com antipsicóticos. Para o diagnóstico diferencial, deve-se avaliar o contexto clínico completo. A presença de outros sinais de atividade lúpica (clínicos ou laboratoriais), como artrite, lesões cutâneas, proteinúria ou consumo de complemento, favorece a hipótese de psicose lúpica. Por outro lado, um quadro psicótico que surge logo após o início ou aumento da dose de corticoide, em um paciente com o restante da doença controlada, sugere a etiologia medicamentosa. O manejo adequado impacta diretamente no prognóstico e na segurança do paciente.
A psicose lúpica geralmente se associa a outros sinais de atividade da doença (ex: marcadores sorológicos elevados, lesões cutâneas). A psicose por corticoide é dose-dependente, costuma ocorrer no início do tratamento e tende a melhorar com a redução da dose.
A conduta inicial envolve a estabilização do paciente, muitas vezes com antipsicóticos, investigação de outras causas orgânicas e uma avaliação completa da atividade do LES para diferenciar a etiologia e guiar o tratamento específico (imunossupressão vs. redução de corticoide).
O LES pode causar uma vasta gama de sintomas neurológicos e psiquiátricos, incluindo cefaleia, convulsões, depressão, ansiedade, disfunção cognitiva, mielite transversa e neuropatias periféricas.
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