Psicose na Doença de Parkinson: Prevalência e Manejo

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 71 anos, diagnosticado com doença de Parkinson há 11 anos. No início desenvolveu somente tremor de extremidades, mas evolui com a tríade clássica de sintomas: tremor de repouso, rigidez muscular e bradicinesia, fechando o diagnóstico. Inicialmente, o paciente respondeu bem ao tratamento com levodopa e agonistas de dopamina, que ajudaram a controlar os sintomas motores, mas houve progressão da doença nos últimos 2 anos e o paciente começou a apresentar flutuações motoras, com períodos de bom controle motor alternados com períodos de piora dos sintomas. Nas últimas semanas, vem apresentando sintomas psicóticos (por exemplo, acredita que o vizinho o está vigiando, que mexe em sua lata de lixo, etc), mas são ideias pouco estruturadas. Assinale qual é a afirmativa correta relacionada a sintomas psicóticos na doença de Parkinson. 

Alternativas

  1. A) Ocorre mais no início dos sintomas da doença, podendo ser exacerbado com o tratamento da levodopa.
  2. B) Há relatos de sintomas psicóticos em pacientes com a doença, mas são raros (menos de 1% dos casos). 
  3. C) Ocorre em uma frequência semelhante à prevalência na população geral, ou seja, por volta de 2%. 
  4. D) Está associado com os estágios mais avançados da doença, podendo atingir 20% dos casos. 

Pérola Clínica

Sintomas psicóticos na DP → estágios avançados, ↑ prevalência (até 20%), podem ser exacerbados por levodopa.

Resumo-Chave

Sintomas psicóticos, como alucinações e delírios, são complicações comuns em estágios avançados da Doença de Parkinson, afetando até 20% dos pacientes. Podem ser induzidos ou exacerbados pela medicação dopaminérgica, especialmente a levodopa.

Contexto Educacional

A Doença de Parkinson (DP) é um transtorno neurodegenerativo progressivo caracterizado principalmente por sintomas motores como tremor de repouso, rigidez, bradicinesia e instabilidade postural. No entanto, sintomas não motores, incluindo distúrbios neuropsiquiátricos, são extremamente comuns e podem ter um impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes e cuidadores. Entre esses, os sintomas psicóticos representam uma complicação desafiadora. A psicose na DP é mais prevalente em estágios avançados da doença e sua incidência aumenta com a duração da doença e a idade do paciente. Estima-se que possa afetar até 20% dos pacientes, e em alguns estudos, a prevalência ao longo da vida pode ser ainda maior. A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo alterações neuroquímicas (como disfunção dopaminérgica e colinérgica), degeneração neuronal e, crucialmente, a terapia dopaminérgica utilizada para controlar os sintomas motores, que pode exacerbar ou induzir a psicose. O manejo da psicose na DP requer uma abordagem cuidadosa. A primeira etapa é revisar e, se possível, reduzir ou descontinuar medicamentos que possam estar contribuindo para os sintomas psicóticos, sempre priorizando o controle motor. Se a redução da medicação dopaminérgica não for viável ou suficiente, antipsicóticos atípicos, como a quetiapina (em baixas doses) ou a pimavanserina (um agonista inverso seletivo do receptor 5-HT2A), podem ser considerados, pois têm menor risco de agravar os sintomas motores em comparação com antipsicóticos típicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os tipos mais comuns de sintomas psicóticos na Doença de Parkinson?

Os sintomas psicóticos mais comuns são alucinações visuais (geralmente bem formadas e não ameaçadoras), seguidas por delírios (frequentemente de perseguição ou ciúmes), e menos frequentemente, alucinações auditivas ou táteis.

Como a levodopa e outros agonistas dopaminérgicos influenciam a psicose na Doença de Parkinson?

A levodopa e outros agonistas dopaminérgicos podem induzir ou exacerbar sintomas psicóticos devido à superestimulação dos receptores dopaminérgicos em áreas cerebrais não motoras, especialmente em pacientes com maior vulnerabilidade.

Qual a abordagem inicial para o manejo da psicose em pacientes com Doença de Parkinson?

A abordagem inicial inclui a revisão e redução gradual de medicamentos que podem precipitar a psicose (como anticolinérgicos, amantadina, agonistas dopaminérgicos), antes de considerar antipsicóticos atípicos, como a quetiapina ou pimavanserina, com cautela.

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