Psicose e Efeitos Extrapiramidais: Reconhecendo o Haloperidol

HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

MSJ, 21 anos, solteiro, masculino, ensino médio completo (repetiu por 2X), mora com pais e irmão caçula. Atualmente trabalha como atendente de telemarketing. Há cerca de 1 mês vêm apresentando mudança do comportamento habitual: mais isolado, não fica mais com familiares, apenas em seu quarto sozinho e até mesmo sair com os amigos já não o interessa mais. Familiares notaram que "estava muito quieto ultimamente". Sua mãe notou que está a todo tempo "desconfiado", até chegou a brigar com colegas no trabalho, pois dizia que "estavam falando mal dele". Há duas semanas deixou de se alimentar no refeitório da empresa, passando a comer apenas alimentos industrializados, por achar que "alguém" poderia estar envenenando sua comida por lá. Há 10 dias a mãe o percebeu "falando sozinho" e o levou ao médico. Foi receitada uma medicação que a mãe passou a dar escondido, mas garantiu que ele tomara diariamente. Entretanto, há 3 dias ela parou de dar a medicação, pois MSJ começou a apresentar inquietação mexendo continuamente mãos e pés, dizendo "não conseguir ficar parado", e com alguns espasmos musculares. Em vista do quadro clínico de MSJ, e efeitos colaterais apresentados, qual foi a medicação mais provavelmente receitada pelo médico?

Alternativas

  1. A) Metilfenidato.
  2. B) Sertralina.
  3. C) Haloperidol.
  4. D) Olanzapina.

Pérola Clínica

Psicose + delírios persecutórios + acatisia/espasmos musculares após medicação → Antipsicótico típico (Haloperidol).

Resumo-Chave

O quadro psicótico com delírios e alucinações, seguido pelo desenvolvimento de efeitos extrapiramidais como inquietação e espasmos, é altamente sugestivo do uso de um antipsicótico típico, como o haloperidol, devido ao seu potente bloqueio dopaminérgico.

Contexto Educacional

O caso clínico de MSJ descreve um quadro de psicose aguda, caracterizado por delírios persecutórios ("estavam falando mal dele", "envenenando sua comida") e alucinações auditivas ("falando sozinho"), além de isolamento social e mudança de comportamento. Esses sintomas são indicativos de um transtorno psicótico, como a esquizofrenia em seu primeiro episódio. O tratamento inicial para tais condições frequentemente envolve o uso de antipsicóticos. A chave para identificar a medicação mais provável reside nos efeitos colaterais apresentados: inquietação motora ("não conseguir ficar parado") e espasmos musculares. Esses são sintomas clássicos de efeitos extrapiramidais (EES), especificamente acatisia (inquietação) e distonia aguda (espasmos). Os antipsicóticos típicos (ou de primeira geração), como o haloperidol, são conhecidos por seu potente bloqueio dos receptores dopaminérgicos D2 no sistema nigroestriatal, o que os torna eficazes no controle dos sintomas psicóticos positivos, mas também os predispõe a uma alta incidência de EES. Outras opções como Metilfenidato (estimulante), Sertralina (antidepressivo) e Olanzapina (antipsicótico atípico) são menos prováveis. O Metilfenidato não trataria a psicose e poderia agravá-la. A Sertralina não é um antipsicótico. A Olanzapina, embora um antipsicótico, é atípica e tem um perfil de EES significativamente menor que o haloperidol, sendo menos provável causar os sintomas tão intensos descritos. Portanto, o Haloperidol é a escolha mais consistente com o quadro clínico e os efeitos adversos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas que sugerem um quadro psicótico agudo?

Um quadro psicótico agudo é caracterizado por delírios (crenças falsas e irredutíveis), alucinações (percepções sensoriais sem estímulo externo), desorganização do pensamento e do comportamento, e isolamento social, como observado no caso de MSJ.

Quais são os efeitos extrapiramidais mais comuns associados aos antipsicóticos típicos?

Os efeitos extrapiramidais incluem distonia aguda (espasmos musculares sustentados), acatisia (inquietação motora subjetiva e objetiva), parkinsonismo induzido por drogas (rigidez, bradicinesia, tremor) e discinesia tardia (movimentos involuntários orofaciais e de membros).

Por que o Haloperidol é uma escolha provável para o caso de MSJ, considerando os efeitos colaterais?

O Haloperidol é um antipsicótico típico de alta potência que atua bloqueando intensamente os receptores dopaminérgicos D2. Essa ação, embora eficaz no controle dos sintomas psicóticos, é a principal causa dos efeitos extrapiramidais, como a acatisia e os espasmos musculares descritos no paciente.

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