Impacto da Doença Crônica no Desenvolvimento do Adolescente

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025

Enunciado

A doença crônica representa um grande desafio para o adolescente, para as famílias e para os profissionais de saúde que cuidam dele. É uma situação difícil e dolorosa, que impõe restrições e causa preocupações, ansiedade e medo de complicações ou de morte. As marcas visíveis ou sinais das doenças crônicas, são penosos e prejudicam a autoimagem, levando à insatisfação com o seu corpo, baixa autoestima, insegurança, depressão, raiva, ansiedade sobre a sua atratividade e sexualidade, prejuízos no relacionamento com os grupos e adaptação social, ficando isolados ou tornando-se vítimas de bullying. Neste cenário, os adolescentes com doença crônica:

Alternativas

  1. A) Podem demonstrar menor comportamento de risco do que os não doentes, devido ao medo das complicações, tanto pelo uso de álcool, como por relações sexuais desprotegidas.
  2. B) Têm menos oportunidades de exposição aos comportamentos de experimentação e demonstram uma postura de pouco interesse sexual em relação aos outros jovens não doentes, devido às restrições e fragilidades.
  3. C) Podem exibir comportamentos reacionais de infantilidade e submissão, ou de agressividade, rebeldia e não aderência aos tratamentos, pois experimentam a sensação de invulnerabilidade ao não aderir aos tratamentos, prejudicando o controle, causando piora da sua situação clínica, ou prejudicando seu prognóstico.
  4. D) Têm a compreensão e aceitação plena da necessidade de se submeter aos requisitos do tratamento da doença, na sua percepção de vulnerabilidade, devendo o médico reforçar os malefícios e complicações da não adesão ao tratamento.

Pérola Clínica

Doença crônica no adolescente → ↑ risco de não adesão por rebeldia ou sensação de invulnerabilidade.

Resumo-Chave

Adolescentes com doenças crônicas frequentemente oscilam entre comportamentos de infantilidade e agressividade, utilizando a não adesão como forma de testar limites ou negar a vulnerabilidade da doença.

Contexto Educacional

O manejo de adolescentes com doenças crônicas exige uma compreensão profunda das fases do desenvolvimento humano. A transição da infância para a vida adulta é marcada por mudanças físicas e psicológicas intensas, onde a aceitação social é prioritária. A doença crônica atua como um estressor adicional que pode desviar o curso normal desse desenvolvimento. Clinicamente, observa-se que o comportamento reacional é uma defesa contra a dor e a perda de controle. Estratégias de cuidado devem ser multidisciplinares, integrando suporte psicológico para trabalhar a autoimagem e a aceitação, garantindo que o tratamento não seja visto como um castigo, mas como uma ferramenta para manter a independência desejada pelo jovem.

Perguntas Frequentes

Por que adolescentes com doenças crônicas apresentam baixa adesão?

A não adesão no adolescente muitas vezes não é um esquecimento, mas um comportamento reacional. Durante a adolescência, a busca por autonomia e a sensação de invulnerabilidade são características do desenvolvimento normal. Quando confrontados com uma doença crônica que impõe restrições, o jovem pode utilizar a negação do tratamento como uma forma de reafirmar seu controle sobre a própria vida ou para se sentir igual aos pares saudáveis, ignorando os riscos a longo prazo.

Como a doença crônica afeta a autoimagem do jovem?

Marcas visíveis da doença, como cicatrizes, uso de dispositivos médicos ou alterações no crescimento, podem ser profundamente penosas. Isso gera insatisfação corporal, baixa autoestima e insegurança quanto à atratividade e sexualidade. Esse cenário predispõe ao isolamento social e torna o adolescente mais vulnerável ao bullying, o que pode desencadear quadros de depressão e ansiedade social, prejudicando sua integração em grupos de pares.

Qual o papel do médico na adesão do adolescente?

O médico deve evitar uma postura puramente autoritária ou focada apenas em ameaças sobre complicações futuras. É fundamental estabelecer uma aliança terapêutica, envolvendo o adolescente nas decisões e reconhecendo sua necessidade de autonomia. O foco deve ser na qualidade de vida atual e na negociação de metas realistas, em vez de apenas reforçar a vulnerabilidade, o que pode gerar mais rebeldia e afastamento do cuidado médico.

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