FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024
Paciente de 34 anos, gênero feminino, procura atendimento ambulatorial para realizar "check up". Não apresenta queixas clínicas ou patologias em tratamento. Seu exame físico encontra-se normal. O único exame complementar alterado foi o hemograma, com série vermelha e branca dentre dos parâmetros de referência, mas com plaquetas de 25.000/mm³. Foi repetida coleta com mesmo resultado. Diante deste caso, qual deve ser a conduta a ser seguida?
Trombocitopenia isolada sem clínica → suspeitar pseudotrombocitopenia; repetir hemograma com citrato de sódio.
A pseudotrombocitopenia é um artefato laboratorial comum, onde as plaquetas se agregam in vitro devido à presença de EDTA no tubo de coleta, resultando em uma contagem falsamente baixa. Em pacientes assintomáticos com trombocitopenia isolada, a primeira conduta é descartar esse artefato repetindo o hemograma com um anticoagulante diferente, como o citrato de sódio.
A trombocitopenia, definida como uma contagem de plaquetas abaixo de 150.000/mm³, é um achado laboratorial comum que pode ter diversas causas. No entanto, em pacientes assintomáticos com trombocitopenia isolada, sem outras alterações no hemograma ou no exame físico, a pseudotrombocitopenia deve ser a primeira hipótese diagnóstica. Este fenômeno é um artefato in vitro que ocorre devido à agregação plaquetária na presença do anticoagulante EDTA, utilizado na maioria dos tubos de coleta para hemograma. A fisiopatologia da pseudotrombocitopenia envolve a ativação de autoanticorpos dependentes de EDTA que reagem com glicoproteínas da membrana plaquetária, levando à agregação. Essa agregação faz com que as plaquetas sejam contadas como uma única célula grande ou não sejam detectadas pelo contador automático, resultando em uma contagem falsamente baixa. A repetição do hemograma com um tubo contendo citrato de sódio, que utiliza um mecanismo de anticoagulação diferente, geralmente resolve o problema, com a contagem de plaquetas retornando ao normal. É crucial que residentes e estudantes de medicina estejam cientes da pseudotrombocitopenia para evitar investigações desnecessárias, invasivas e custosas. A conduta imediata e mais adequada é sempre repetir o hemograma com citrato de sódio antes de prosseguir com outras etapas diagnósticas, como mielograma ou dosagens de vitaminas, que seriam indicadas apenas se a trombocitopenia fosse confirmada e não houvesse uma causa óbvia. A identificação precoce desse artefato poupa recursos e minimiza a ansiedade do paciente.
A pseudotrombocitopenia é uma condição laboratorial em que a contagem de plaquetas é falsamente baixa devido à agregação plaquetária in vitro. Isso geralmente ocorre na presença do anticoagulante EDTA, que induz alterações na membrana plaquetária, levando à formação de agregados que são contados como células maiores ou não são contados individualmente pelo aparelho.
A conduta inicial para suspeita de pseudotrombocitopenia é repetir a coleta de sangue utilizando um anticoagulante diferente do EDTA, como o citrato de sódio. Se a contagem de plaquetas normalizar com o citrato, o diagnóstico de pseudotrombocitopenia é confirmado.
Além da pseudotrombocitopenia, os diferenciais para trombocitopenia isolada assintomática incluem trombocitopenia imune primária (PTI), trombocitopenia gestacional, trombocitopenia induzida por drogas e, mais raramente, síndromes mielodisplásicas ou infecções virais crônicas. A exclusão da pseudotrombocitopenia é o primeiro passo.
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