UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021
Homem de 20 anos vai à consulta médica com hemograma e coagulograma solicitados previamente para realizar a excisão cirúrgica de um lipoma de 5 cm no dorso. O paciente é completamente assintomático e seus exames estão normais, exceto pela presença de plaquetas de 5 mil/mm3 (referência 140 mil a 450 mil/mm³). A conduta deve ser
Plaquetopenia grave em paciente assintomático → suspeitar de pseudotrombocitopenia, repetir hemograma com citrato.
Uma contagem de plaquetas extremamente baixa (ex: 5 mil/mm³) em um paciente completamente assintomático deve levantar forte suspeita de pseudotrombocitopenia, um artefato laboratorial comum devido à agregação plaquetária no tubo com EDTA. A conduta inicial é sempre repetir o hemograma, preferencialmente com um anticoagulante diferente (citrato de sódio).
A trombocitopenia, ou baixa contagem de plaquetas, é um achado laboratorial comum que pode indicar diversas condições clínicas, desde benignas até graves. No entanto, a pseudotrombocitopenia é um fenômeno relativamente frequente, ocorrendo em cerca de 0,1% das amostras, onde a contagem de plaquetas é falsamente baixa devido a artefatos laboratoriais. É crucial para o médico residente saber diferenciar uma trombocitopenia real de uma pseudotrombocitopenia para evitar condutas inadequadas e desnecessárias. A pseudotrombocitopenia é causada principalmente pela agregação plaquetária in vitro, geralmente induzida pelo EDTA, o anticoagulante mais comum em tubos de hemograma. Anticorpos dependentes de EDTA podem se ligar à glicoproteína IIb/IIIa na superfície das plaquetas, levando à sua aglutinação. Clinicamente, o paciente é assintomático, sem sinais de sangramento, o que é um forte indício de que a baixa contagem não é real. O diagnóstico é confirmado ao repetir o hemograma com um anticoagulante alternativo (como citrato de sódio) ou através da análise microscópica do esfregaço sanguíneo, que revelará agregados plaquetários. Diante de uma plaquetopenia isolada e grave em um paciente assintomático, a conduta inicial é sempre a repetição do hemograma. Se a pseudotrombocitopenia for confirmada, nenhuma intervenção adicional é necessária. Caso a plaquetopenia persista após a repetição com citrato, a investigação para causas reais de trombocitopenia deve ser iniciada, incluindo doenças autoimunes, infecções, deficiências nutricionais, doenças da medula óssea e efeitos de medicamentos.
Pseudotrombocitopenia é um erro laboratorial em que a contagem de plaquetas aparece falsamente baixa. Isso ocorre devido à agregação das plaquetas in vitro, geralmente induzida pelo anticoagulante EDTA, que é comum em tubos de coleta de hemograma. O aparelho automatizado interpreta esses agregados como células maiores, não as contando como plaquetas individuais.
A primeira e mais importante conduta é repetir o hemograma. Idealmente, a nova amostra deve ser coletada em um tubo com um anticoagulante diferente, como citrato de sódio, ou ser processada imediatamente após a coleta para minimizar a agregação plaquetária.
Não reconhecer a pseudotrombocitopenia pode levar a investigações desnecessárias e invasivas (como mielograma), tratamentos inadequados (como transfusões de plaquetas) e ansiedade indevida para o paciente. Além disso, pode atrasar a identificação de uma verdadeira trombocitopenia, caso a pseudotrombocitopenia seja descartada.
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