CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010
Constitui causa de pseudorretração palpebral unilateral:
Ptose contralateral → ↑ estímulo elevador ipsilateral → Pseudorretração (Lei de Hering).
A pseudorretração palpebral unilateral ocorre frequentemente como um fenômeno compensatório (Lei de Hering) em resposta a uma ptose real no olho oposto.
A compreensão da fisiologia da motilidade ocular e palpebral é essencial para evitar diagnósticos errôneos de doenças orbitárias. A Lei de Hering explica por que pacientes com ptose senil ou miastênica unilateral podem se queixar de que o 'outro olho está muito aberto'. Na prática clínica, o médico deve sempre avaliar o par palpebral em conjunto, observando a resposta dinâmica à oclusão. Este conceito é frequentemente cobrado em provas de título e residência por exigir raciocínio fisiopatológico além da simples observação anatômica.
A Lei de Hering da inervação igual estabelece que os músculos sinérgicos de ambos os olhos recebem a mesma quantidade de estímulo nervoso simultaneamente. No contexto palpebral, se um olho apresenta ptose, o cérebro envia um sinal aumentado para o músculo elevador da pálpebra superior desse olho para tentar compensar a queda. Como o estímulo é bilateral e igual, o músculo elevador do olho contralateral (normal) recebe o mesmo excesso de sinal, resultando em uma retração palpebral aparente ou pseudorretração.
A diferenciação clínica é feita através do teste de oclusão ou elevação manual da pálpebra ptótica. Ao elevar manualmente a pálpebra com ptose real, o estímulo compensatório cessa e a pálpebra contralateral (a que estava retraída) retorna à sua posição normal. Na orbitopatia distireóidea, a retração é fixa e geralmente associada a outros sinais como 'lid lag' (sinal de Von Graefe) e edema periorbitário, não se alterando com a manipulação do olho oposto.
As principais causas incluem a ptose contralateral (pela Lei de Hering), a proptose ipsilateral (onde o globo ocular empurra a pálpebra), o aumento do volume ocular (buftalmo ou miopia axial elevada) e a retração cicatricial. É fundamental avaliar a simetria facial e realizar o teste de cobertura para descartar estrabismos verticais que também podem simular alterações no posicionamento palpebral.
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