Tratamento de Pseudomonas aeruginosa: Escolha Antibiótica

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026

Enunciado

Idoso com diabetes melitus e hipertensão arterial, apresentou dor abdominal difusa com evolução para abdômen agudo. Foi diagnosticado abscesso bloqueado em região de cólon E, que se encontrava com divertículo perfurado. Foi realizada colectomia parcial e colostomia. Foi indicada Internação em UTI e o paciente manteve íleo adinâmico. Usou ceftriaxona e metronidazol inicialmente, manteve leucocitose e febre, trocado para piperacilina tazobactam sem mudança no quadro febril. TC de abdômen revelou abscesso de parede abdominal extenso, abordado cirurgicamente, cultura evidenciou E, coli sensível a piperacilina tazobactam. Manteve quadro febril, distensão abdominal e evoluiu para sepsis. Hemocultura revelou Pseudomonas aeruginosa. Antibiograma em andamento. Qual antibiótico, dentre as opções abaixo, deverá ser utilizado empiricamente até resultado do antibiograma?

Alternativas

  1. A) Cefuroxima.
  2. B) Ceftazidima.
  3. C) Ceftriaxona.
  4. D) Ampicilina-sulbactam.

Pérola Clínica

Pseudomonas aeruginosa em hemocultura → Iniciar Ceftazidima ou Cefepime (cobertura antipseudomônica específica).

Resumo-Chave

Diante de isolamento de Pseudomonas em hemocultura, a terapia deve ser escalonada para agentes com cobertura específica antipseudomônica, como a Ceftazidima.

Contexto Educacional

A Pseudomonas aeruginosa é um patógeno gram-negativo não fermentador, frequentemente associado a infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) e alta mortalidade em pacientes sépticos. Sua capacidade de formar biofilmes e sua resistência intrínseca a diversos antibióticos tornam o manejo clínico desafiador. No cenário de sepse abdominal pós-operatória, a escolha do antibiótico deve considerar o histórico do paciente e a ecologia local. A Ceftazidima é um pilar no tratamento antipseudomônico, agindo através da inibição da síntese da parede celular bacteriana. Em casos de resistência confirmada ou risco de ESBL, pode ser necessário o uso de carbapenêmicos (Meropenem) ou novas combinações como Ceftazidima-Avibactam, dependendo do antibiograma.

Perguntas Frequentes

Quais cefalosporinas cobrem Pseudomonas aeruginosa?

As principais cefalosporinas com atividade antipseudomônica são a Ceftazidima (3ª geração) e o Cefepime (4ª geração). A Ceftriaxona e a Cefotaxima, embora também sejam de 3ª geração, não possuem atividade contra a Pseudomonas.

Por que a Ceftriaxona falha no tratamento da Pseudomonas?

A Ceftriaxona não possui afinidade pelas proteínas ligadoras de penicilina (PBPs) específicas da Pseudomonas aeruginosa e é facilmente inativada por mecanismos de resistência intrínsecos desta bactéria, como bombas de efluxo e produção de beta-lactamases cromossômicas (AmpC).

Quando considerar Pseudomonas em infecções abdominais?

A Pseudomonas deve ser suspeitada em pacientes com internação prolongada, uso prévio de antibióticos de amplo espectro, manipulação cirúrgica múltipla, imunossupressão ou presença de dispositivos invasivos. No caso clínico, a falha terapêutica com Piperacilina-Tazobactam e o isolamento em hemocultura tornam o tratamento direcionado obrigatório.

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