HSL Copacabana - Hospital São Lucas Copacabana (RJ) — Prova 2021
Paciente com 33 anos, obesa (IMC 35), com quadro de dor abdominal de forte intensidade no epigastro, com posterior localização na FID, com inapetência e vômitos associados. Chega na emergência e tem diagnóstico clínico de apendicite aguda. Realiza TC do abdome, com apêndice não visualizado, líquido livre na cavidade em grande quantidade de aparência espessa. De acordo com esses dados e a imagem abaixo, responda as 2 questões abaixo:Qual a melhor conduta?
Apendicite com líquido espesso/pseudomixoma peritoneal → Suspeitar neoplasia mucinosa apendicular → Ileo-colectomia direita + Peritoniectomia + HIPEC.
A presença de grande quantidade de líquido livre espesso na cavidade abdominal em um quadro de apendicite aguda, especialmente quando o apêndice não é visualizado na TC, deve levantar a suspeita de pseudomixoma peritoneal, uma condição geralmente associada a tumores mucinosos do apêndice. Nesses casos, a conduta vai além da apendicectomia simples, exigindo uma abordagem oncológica radical.
O pseudomixoma peritoneal é uma condição rara caracterizada pelo acúmulo de material mucinoso gelatinoso na cavidade peritoneal, geralmente originado de tumores mucinosos do apêndice, embora possa ter outras origens. Quando um quadro de apendicite aguda se apresenta com achados de imagem como grande quantidade de líquido livre espesso, deve-se levantar a forte suspeita dessa condição. A fisiopatologia envolve a ruptura de um tumor mucinoso apendicular, liberando células produtoras de mucina que se implantam no peritônio e continuam a produzir muco. O diagnóstico é frequentemente incidental durante a cirurgia ou por exames de imagem como a tomografia computadorizada, que pode revelar ascite com densidade de muco e implantes peritoneais. O tratamento do pseudomixoma peritoneal é complexo e exige uma abordagem multidisciplinar. A conduta padrão ouro envolve a cirurgia citorredutora completa, que inclui peritoniectomia (remoção de todo o peritônio acometido) e, frequentemente, ileo-colectomia direita para ressecar o apêndice e o ceco. Após a citorredução, é realizada a Hipertermo Quimioterapia Intraperitoneal (HIPEC), que consiste na administração de quimioterápicos aquecidos diretamente na cavidade abdominal para eliminar células tumorais residuais.
A presença de grande quantidade de líquido ascítico espesso ou gelatinoso, com ou sem calcificações, e apêndice não visualizado ou com aspecto mucinoso.
É um procedimento cirúrgico que combina a remoção máxima de tumores visíveis (citorredução) com a aplicação de quimioterapia aquecida diretamente na cavidade abdominal.
A ileo-colectomia direita é realizada para garantir a ressecção completa do apêndice e de qualquer extensão tumoral para o ceco e íleo terminal, minimizando o risco de recorrência.
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