Pseudomixoma Peritoneal: Diagnóstico e Tratamento com HIPEC

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

O pseudomixoma peritoneal (PMP) é uma condição clínica rara, caracterizada pela disseminação de metástases peritoneais e associada ao acúmulo difuso de ascite mucinosa, com aspecto gelatinoso na cavidade abdominal. Sobre o assunto, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa CORRETA: I - Geralmente está associado a uma neoplasia apendicular rota, mas também pode ser originário de outros sítios do trato digestivo (colorretal, pâncreas) e ginecológico (ovários). II - A história natural está relacionada com o fenômeno de redistribuição de células tumorais e da mucina livres, que circulam pela cavidade abdominal de acordo com o fluxo fisiológico do liquido peritoneal. III - O tratamento atual envolve a ressecção da maior parte possível do tumor (citorredução) e quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (HIPEC). O tratamento cirúrgico inclui omentectomia menor e maior, remoção do peritônio parietal envolvido, ressecção dos órgãos envolvidos e apendicectomia ou ileocolectomia. IV - Pacientes com tumores de baixo grau submetidos à citorredução completa com HIPEC apresentam taxas de sobrevida em 5 anos de 60% a 90%.

Alternativas

  1. A) Apenas a afirmativa III está correta.
  2. B) Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
  3. C) Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas.
  4. D) Todas as afirmativas estão corretas.

Pérola Clínica

PMP = Ascite mucinosa + Neoplasia apendicular rota → Tratamento: Citorredução completa + HIPEC.

Resumo-Chave

O pseudomixoma peritoneal é uma síndrome clínica de ascite gelatinosa, originada majoritariamente de tumores apendiculares, tratada com cirurgia de citorredução radical e quimioterapia hipertérmica.

Contexto Educacional

O Pseudomixoma Peritoneal (PMP) é uma condição rara caracterizada pelo acúmulo de mucina na cavidade abdominal. A fisiopatologia baseia-se na 'hipótese da redistribuição', onde as células não se implantam aleatoriamente, mas seguem o fluxo peritoneal, poupando áreas de alta motilidade (como o intestino delgado) e acumulando-se em áreas estáticas (pelve, goteiras paracólicas). O manejo moderno exige centros especializados. A avaliação do Índice de Câncer Peritoneal (PCI) é crucial para determinar a ressecabilidade. A cirurgia envolve frequentemente múltiplas peritonectomias e ressecções de órgãos como baço, vesícula biliar e segmentos do cólon para garantir que nenhum nódulo maior que 2,5mm permaneça antes da fase hipertérmica.

Perguntas Frequentes

Qual a origem mais comum do pseudomixoma peritoneal?

A origem mais comum é o apêndice cecal, geralmente após a ruptura de uma neoplasia mucinosa apendicular de baixo grau (LAMN). As células tumorais e a mucina se espalham pela cavidade peritoneal seguindo o fluxo do líquido ascítico, acumulando-se em locais de reabsorção linfática, como o omento e o diafragma, fenômeno conhecido como redistribuição.

Como funciona o tratamento com HIPEC no PMP?

O tratamento padrão-ouro combina a Cirurgia de Citorredução (CRS), que visa remover toda a doença macroscópica (peritonecomias e ressecções orgânicas), seguida pela Quimioterapia Intraperitoneal Hipertérmica (HIPEC). A HIPEC utiliza agentes quimioterápicos aquecidos (41-43°C) para tratar a doença microscópica residual, aproveitando o efeito sinérgico do calor e a barreira plasma-peritônio.

Qual o prognóstico de pacientes com PMP de baixo grau?

Pacientes com tumores de baixo grau submetidos à citorredução completa (CC-0 ou CC-1) associada à HIPEC apresentam um prognóstico favorável, com taxas de sobrevida em 5 anos variando entre 60% e 90%. O sucesso depende primordialmente da capacidade de atingir uma citorredução completa durante o ato cirúrgico.

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