UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2022
Um paciente, 66 anos, está em uso de meropenem para tratamento de um quadro de broncopneumonia. Vem evoluindo bem em enfermaria, com boa resposta àantibioticoterapia (D5). Manteve-se normotenso e sem edemas. Seus exames colhidos entre a admissão e o 5º dia de antibioticoterapia evidenciaram o seguinte: elevação da creatinina sérica (1,0 mg/dL para 1,4 mg/dL); diurese preservada; ureia, eletrólitos e gasometria normais; negativo para leucocitúria, hematúria e cilindrúria. Com base nesse quadro, conclui-se que há
Meropenem pode ↑ creatinina sérica por inibição da secreção tubular, sem lesão renal aguda verdadeira.
O meropenem, assim como outros beta-lactâmicos e medicamentos como o trimetoprim, pode elevar a creatinina sérica ao inibir competitivamente a secreção tubular de creatinina. Isso não indica uma lesão renal aguda verdadeira, mas sim uma pseudolesão, pois a taxa de filtração glomerular (TFG) permanece inalterada.
A avaliação da função renal é um componente crítico no manejo de pacientes hospitalizados, especialmente aqueles em uso de múltiplos medicamentos. A creatinina sérica é um marcador amplamente utilizado, mas sua interpretação requer conhecimento das suas limitações e dos fatores que podem influenciá-la. O meropenem, um antibiótico carbapenêmico de amplo espectro, é conhecido por causar uma elevação da creatinina sérica em alguns pacientes. Este fenômeno não é devido a uma lesão renal aguda (LRA) verdadeira, mas sim a uma inibição da secreção tubular de creatinina. A creatinina é filtrada livremente pelo glomérulo e também secretada ativamente pelos túbulos renais. Ao inibir essa secreção, o meropenem aumenta a concentração sérica de creatinina sem alterar a taxa de filtração glomerular (TFG). Para residentes, é fundamental reconhecer essa 'pseudolesão renal' para evitar a interrupção desnecessária de um antibiótico eficaz ou a realização de investigações invasivas. A chave é avaliar o contexto clínico: se o paciente está hemodinamicamente estável, com diurese preservada e sem outros sinais de disfunção renal, a elevação da creatinina provavelmente reflete esse efeito farmacológico e não um dano renal.
O meropenem pode inibir competitivamente a secreção tubular de creatinina nos túbulos renais, levando a um aumento dos níveis séricos de creatinina sem necessariamente indicar uma lesão renal.
Na pseudolesão, a diurese e outros marcadores de função renal (ureia, eletrólitos, gasometria) geralmente permanecem normais, e não há sinais de dano tubular ou glomerular, como proteinúria ou cilindros.
Além do meropenem, o trimetoprim, a cimetidina e o cobicistat são exemplos de fármacos que podem inibir a secreção tubular de creatinina, elevando seus níveis séricos.
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