HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020
Homem, 35 anos de idade, previamente hígido, é admitido no pronto-socorro com queixa, há 2 dias, de dor abdominal de intensidade progressiva, em barra (andar superior do abdome), associada a hiporexia e náuseas. Nega vômitos. Nega etilismo. Ao exame clínico: orientado no tempo e no espaço, com frequência cardíaca = 108 batimentos/minuto, frequência respiratória = 22 incursões/minuto, saturação de oxigênio = 96%, em ar ambiente, temperatura axilar = 37,8ºC. Exame abdominal com dor à palpação de epigástrio e hipocôndrio esquerdo, distendido, sem sinais de peritonite. Exame cardiopulmonar normal. Exames laboratoriais séricos: Hb = 14,5 mg/dL; Hematócrito = 48%; Leucócitos = 12.000/mm³; Plaquetas = 165.000/mm³; creatinina = 1,0 mg/dL; ureia = 72 mg/dL; potássio = 4,5 mEq/L; sódio = 130 mEq/L; Glicemia = 252 mg/dL; Bilirrubina total = 1,3 mg/dL; Bilirrubina direta = 0,9; Bilirrubina = 0,4; Amilase = 2500U/L; Lipase = 1200U/L; Triglicerídeos = 1500 mg/dL (valor referência = 150 mg/dL). Considerando o sódio sérico, qual é a conduta para este caso?
Pancreatite aguda com hipertrigliceridemia grave e hiponatremia → pseudohiponatremia; não iniciar reposição salina específica para sódio.
O paciente apresenta pancreatite aguda grave com hipertrigliceridemia (1500 mg/dL). Níveis muito elevados de triglicerídeos podem causar pseudohiponatremia (hiponatremia dilucional), onde o sódio sérico real está normal, mas a medição é artificialmente baixa devido ao grande volume de lipídios no plasma. Portanto, não se deve corrigir o sódio com soluções salinas hipertônicas.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave do pâncreas, frequentemente associada a dor abdominal intensa e elevação de enzimas pancreáticas. A hipertrigliceridemia grave é uma causa reconhecida de pancreatite, e neste caso, os triglicerídeos de 1500 mg/dL são um fator etiológico claro. Um achado laboratorial importante neste cenário é a hiponatremia (sódio de 130 mEq/L). No entanto, em pacientes com hipertrigliceridemia extrema, como a observada, é fundamental considerar a pseudohiponatremia. Este fenômeno ocorre porque a medição do sódio é feita em uma amostra de plasma que contém um volume significativo de lipídios, resultando em uma concentração de sódio artificialmente baixa por diluição, enquanto a concentração de sódio na fase aquosa do plasma permanece normal. Portanto, a conduta correta em relação ao sódio sérico é não iniciar reposição de solução salina para corrigir a hiponatremia aparente. O tratamento deve focar na pancreatite e na redução dos níveis de triglicerídeos, que resolverá a pseudohiponatremia. A administração de soluções salinas hipertônicas para uma pseudohiponatremia pode levar a uma hipernatremia iatrogênica perigosa.
Pseudohiponatremia é uma condição em que o sódio sérico medido aparece baixo, mas o sódio real no plasma é normal. Isso ocorre devido à presença de grandes quantidades de outras substâncias (como lipídios ou proteínas) que ocupam um volume significativo no plasma, diluindo a concentração de sódio na amostra.
Deve-se suspeitar de pseudohiponatremia em pacientes com pancreatite aguda que apresentam hipertrigliceridemia grave (triglicerídeos > 1000 mg/dL) e hiponatremia.
Não se deve iniciar reposição de solução salina específica para corrigir o sódio, pois o sódio real está normal. O foco deve ser no tratamento da hipertrigliceridemia subjacente.
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