USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Mulher de 75 anos vem à consulta de saúde acompanhada da filha que refere que sua mãe está apresentando muitos esquecimentos, há aproximadamente 6 meses. Paciente é hipertensa, diabética e faz uso de losartana 50 mg 1 comprimido ao dia e glifage XR 500 mg 2 comprimidos ao dia. Paciente estudou até a 8° série do ensino médio. Ao exame clínico: PA: 120 x 80 mmHg, FC: 71 bpm, FR:16 ipm Peso: 60 Kg, Alt: 1.65 m, IMC: 22, saturação de O₂: 98% dextro: 110 mg/dl. Exames laboratoriais: vitamina B12: 400 (VR: 210-980 pg/ml), TSH: 2.80 (VR: 0.3-4.8), MEEM: 28 pontos. GDS (Escala de Depressão Geriátrica) 8. De acordo com o quadro descrito acima, qual o diagnóstico mais provável?
GDS > 5 em idoso com queixas cognitivas + MEEM normal → suspeitar de transtorno depressivo (pseudodemência).
Em idosos, a depressão pode mimetizar um quadro demencial, conhecido como pseudodemência. É crucial diferenciar, pois a depressão é tratável e reversível. A Escala de Depressão Geriátrica (GDS) é uma ferramenta útil para rastreio, e um MEEM dentro da normalidade para o nível de escolaridade, junto a um GDS elevado, reforça a hipótese de depressão.
O transtorno depressivo em idosos é uma condição comum e frequentemente subdiagnosticada, que pode se manifestar com sintomas cognitivos, mimetizando uma demência. Essa apresentação é conhecida como pseudodemência depressiva. É crucial para o médico generalista e o especialista em geriatria reconhecer essa condição, pois, ao contrário das demências neurodegenerativas, a pseudodemência é potencialmente reversível com tratamento adequado da depressão. A prevalência de depressão em idosos é significativa, e a presença de comorbidades crônicas, como hipertensão e diabetes, pode aumentar o risco. A avaliação diagnóstica deve incluir uma anamnese detalhada, exame físico completo e exames laboratoriais para excluir outras causas reversíveis de declínio cognitivo, como deficiência de vitamina B12 e hipotireoidismo. Ferramentas de rastreio como o Mini Exame do Estado Mental (MEEM) e a Escala de Depressão Geriátrica (GDS) são essenciais. Uma pontuação de GDS acima de 5 pontos é sugestiva de depressão, e a interpretação do MEEM deve sempre considerar o nível de escolaridade do paciente. A presença de um MEEM normal ou com leve comprometimento, associado a um GDS elevado e queixas cognitivas, reforça a hipótese de pseudodemência. O tratamento da pseudodemência foca no manejo da depressão, geralmente com antidepressivos e psicoterapia. O prognóstico é favorável com a intervenção precoce, resultando em melhora significativa dos sintomas cognitivos e do humor. É fundamental o acompanhamento regular para monitorar a resposta ao tratamento e ajustar a terapia conforme necessário, visando restaurar a qualidade de vida do paciente e prevenir a progressão para um quadro demencial verdadeiro, que pode ser precipitado por episódios depressivos não tratados.
Os principais sinais incluem queixas cognitivas (especialmente de memória) que o paciente tende a superestimar, humor deprimido, anedonia, distúrbios do sono e apetite, e uma pontuação elevada em escalas de depressão geriátrica, como a GDS, enquanto o MEEM pode estar preservado ou com declínio leve e inconsistente.
A diferenciação envolve uma avaliação clínica detalhada, incluindo histórico, exame físico, exames laboratoriais (B12, TSH) e testes neuropsicológicos. Na pseudodemência, o início é mais agudo, o paciente se queixa mais das falhas, e a depressão é proeminente. Na demência, o início é insidioso, o paciente pode minimizar as falhas, e a depressão pode ser secundária ou ausente.
A GDS é uma ferramenta de rastreio valiosa para identificar sintomas depressivos em idosos. Uma pontuação alta na GDS (>5) em um paciente com queixas cognitivas, especialmente se o MEEM estiver relativamente preservado para sua escolaridade, deve levantar a suspeita de que a depressão pode ser a causa primária ou um fator contribuinte para o declínio cognitivo.
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