SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015
Paciente masculino, 70 anos, procura-o no consultório com queixas de esquecimentos frequentes (como o número da sua conta bancária ou de sua identidade) e distanciamento familiar por apatia e déficit de concentração, nas últimas duas semanas. Ao examiná-lo você identifica um indivíduo orientado no tempo e no espaço, capaz de recordar seus eventos do dia á dia e fatos relevantes de sua história. Ao ser apresentada uma lista com cinco palavras simples, este é capaz de repeti-las imediatamente, após um minuto de concentração e após 10 minutos durante os quais ele realizou outras tarefas. Esse contexto deve deixá-lo atento para qual diagnóstico mais provável?
Idoso com queixas cognitivas, apatia e boa recordação em testes → Suspeitar de depressão (pseudodemência).
Em idosos, queixas de esquecimento e déficit de concentração, acompanhadas de apatia e anedonia, mas com boa performance em testes de memória (como a recordação de palavras), são mais sugestivas de um transtorno depressivo (pseudodemência) do que de demência degenerativa.
A depressão em idosos é uma condição prevalente e muitas vezes subdiagnosticada, que pode se manifestar com sintomas atípicos, incluindo queixas cognitivas que mimetizam a demência, um fenômeno conhecido como pseudodemência depressiva. É crucial para o médico diferenciar essas condições, pois o prognóstico e o tratamento são distintos. A incidência de depressão aumenta com a idade, e fatores como isolamento social, doenças crônicas e perdas podem desencadeá-la. A fisiopatologia da pseudodemência envolve alterações neuroquímicas e funcionais cerebrais associadas à depressão, que afetam a atenção, concentração, velocidade de processamento e funções executivas. No entanto, a memória de armazenamento e reconhecimento geralmente permanecem intactas, ao contrário da demência degenerativa. O diagnóstico diferencial é baseado na história clínica (início agudo, queixas ativas do paciente), exame do estado mental (preservação da memória de reconhecimento, melhora com pistas) e exclusão de outras causas. O tratamento da pseudodemência é focado na depressão subjacente, utilizando antidepressivos (especialmente ISRS) e terapia não farmacológica, como psicoterapia e suporte social. Com o tratamento adequado, os sintomas cognitivos geralmente melhoram significativamente, ressaltando a importância de um diagnóstico preciso para evitar a progressão de um quadro tratável e melhorar a qualidade de vida do idoso.
Na pseudodemência, o início é mais agudo, o paciente se queixa ativamente dos esquecimentos, há labilidade emocional e o desempenho nos testes cognitivos pode ser inconsistente, mas a memória de reconhecimento e a recordação após pistas são geralmente preservadas. Na demência, o início é insidioso, o paciente minimiza as dificuldades e a memória é progressivamente comprometida.
A apatia e o déficit de concentração são sintomas centrais da depressão em idosos. Eles podem levar a uma diminuição do interesse e da capacidade de realizar tarefas, mimetizando um declínio cognitivo, mas são reversíveis com o tratamento adequado da depressão.
A capacidade de recordar palavras após um período de distração (10 minutos) é um bom indicador da função da memória de longo prazo e da capacidade de consolidação. A preservação dessa capacidade, apesar das queixas, sugere que o problema não é primariamente de armazenamento de memória, mas sim de atenção ou motivação, como ocorre na depressão.
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