UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Paciente de 56 anos, com obesidade grau 1, procura emergência às 13h por “pressão alta” após discussão em casa. Encontra-se agitada, chorosa, com tremores de extremidades. Nega sintomas precordiais no momento do exame ou em episódios anteriores. Relata estar triste na última semana pelas brigas com o marido. Observa-se pressão = 172 x 94mmHg e glicemia = 200mg/dL. Com a paciente em observação, foi administrado captopril sublingual e insulina regular subcutânea. Após normalização da pressão e da glicemia, ela foi liberada com os diagnósticos de hipertensão arterial, diabetes e depressão. Mediante os sinais e sintomas clínicos descritos, avalia-se que:
Picos pressóricos reativos e glicemia elevada por estresse não configuram HA, DM ou depressão aguda; requerem observação e reavaliação ambulatorial.
A paciente apresenta um pico hipertensivo e hiperglicemia reativos a um estresse agudo, sem evidência de lesão de órgão-alvo ou critérios diagnósticos para hipertensão arterial, diabetes mellitus ou depressão em uma única avaliação de emergência. A conduta correta seria observação, acalmar a paciente e orientar acompanhamento ambulatorial para investigação e diagnóstico definitivo, não a liberação com diagnósticos fechados e tratamento medicamentoso iniciado na emergência.
A avaliação de pacientes na emergência com queixa de "pressão alta" exige discernimento para diferenciar picos pressóricos reativos de urgências ou emergências hipertensivas. Picos reativos são elevações transitórias da pressão arterial, frequentemente desencadeadas por estresse, dor ou ansiedade, e não configuram hipertensão arterial crônica. O diagnóstico de hipertensão requer medidas elevadas em pelo menos duas ocasiões distintas, fora do ambiente de estresse agudo. Da mesma forma, o diagnóstico de diabetes mellitus não pode ser feito com uma única medida de glicemia na emergência, especialmente se o paciente estiver sob estresse, que pode elevar transitoriamente os níveis glicêmicos. São necessários critérios diagnósticos bem estabelecidos, como glicemia de jejum alterada em duas ocasiões, teste de tolerância à glicose oral ou HbA1c. A depressão também é um diagnóstico clínico complexo que exige avaliação longitudinal dos sintomas (humor deprimido, anedonia, alterações de sono/apetite, etc.) por um período mínimo de duas semanas, não podendo ser estabelecida em uma única consulta de emergência baseada em agitação e choro. A conduta adequada para a paciente seria acalmá-la, observar a normalização dos parâmetros e encaminhá-la para acompanhamento ambulatorial para investigação diagnóstica e manejo adequado das condições suspeitas.
O diagnóstico de hipertensão arterial requer múltiplas medidas elevadas da pressão arterial em diferentes ocasiões, geralmente em ambiente ambulatorial, após repouso e técnica adequada, não apenas um pico isolado na emergência.
Não, uma glicemia isolada de 200mg/dL, especialmente em um contexto de estresse agudo, não é suficiente para diagnosticar diabetes. São necessários critérios como glicemia de jejum, teste de tolerância à glicose ou HbA1c, ou sintomas clássicos com glicemia aleatória >200mg/dL.
Picos pressóricos reativos são elevações da PA sem lesão de órgão-alvo e frequentemente associados a estresse. Urgências hipertensivas são PA muito elevadas sem lesão de órgão-alvo iminente, enquanto emergências hipertensivas são elevações graves da PA com lesão de órgão-alvo aguda e progressiva.
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