FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2015
Paciente refere intensa cefaleia durante avaliação inicial, refere que o quadro se iniciou após estresse emocional por discussão familiar. Não apresenta perdas segmentares ou irritação meníngea, seu Glasgow está em 15. Porém, ao aferir sua pressão, encontramos o valor de 190 x 110 mmHg. Assim, consideramos adequado:
Cefaleia isolada com PA elevada sem lesão de órgão-alvo → Pseudocrise hipertensiva: tratar sintomas e reavaliar PA.
A presença de cefaleia intensa após estresse emocional, sem sinais de lesão de órgão-alvo (como alterações neurológicas focais ou irritação meníngea), e com Glasgow 15, sugere uma pseudocrise hipertensiva. Nesses casos, a conduta inicial é sintomática, com analgésicos e ansiolíticos, seguida de reavaliação da pressão arterial, evitando a redução abrupta da PA que pode ser prejudicial.
As crises hipertensivas representam um desafio comum na emergência, sendo classificadas em urgências e emergências hipertensivas, além das pseudocrises. A diferenciação é crucial para o manejo adequado e para evitar iatrogenias. A prevalência de hipertensão arterial sistêmica é alta, tornando o conhecimento sobre suas descompensações fundamental para qualquer médico. A fisiopatologia das crises hipertensivas envolve uma disfunção endotelial e um desequilíbrio entre fatores vasoconstritores e vasodilatadores, levando a um aumento súbito e significativo da pressão arterial. O diagnóstico diferencial entre urgência (PA elevada sem lesão de órgão-alvo) e emergência (PA elevada com lesão de órgão-alvo) é feito pela busca ativa de sintomas e sinais de comprometimento de órgãos como cérebro, coração, rins e retina. A pseudocrise, por sua vez, é uma elevação da PA reativa a dor ou estresse, sem lesão de órgão-alvo. O tratamento varia conforme a classificação: emergências exigem redução rápida da PA com medicações intravenosas, urgências permitem redução gradual em 24-48h com medicação oral, e pseudocrises focam no alívio sintomático e reavaliação. O prognóstico está diretamente relacionado à rapidez e adequação do manejo, sendo um ponto crítico na formação de residentes para evitar complicações graves.
Sinais de lesão de órgão-alvo incluem alterações neurológicas (AVC, encefalopatia), cardíacas (infarto, edema agudo de pulmão), renais (insuficiência renal aguda) e retinopatia hipertensiva. A ausência desses sinais é crucial para diferenciar urgência de emergência hipertensiva.
A conduta inicial para uma pseudocrise hipertensiva envolve o tratamento dos sintomas associados, como cefaleia e ansiedade, com analgésicos e ansiolíticos. Após o alívio sintomático, a pressão arterial deve ser reavaliada, geralmente com tendência à normalização.
A redução abrupta da pressão arterial em pacientes com hipertensão crônica pode ser perigosa porque seus vasos sanguíneos estão adaptados a níveis pressóricos mais altos. Uma queda rápida pode comprometer a perfusão de órgãos vitais, levando a isquemia cerebral ou cardíaca.
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