CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2024
Cecilia, 38 anos, ao iniciar a consulta com seu médico de família cai no choro, relata que vem tendo problemas com o marido e que tiveram uma discussão momentos antes, ao sair de casa. Encontra-se com obesidade I, PA média durante a consulta foi de 185x100mmHg. Em consultas anteriores, tinha medidas de 135x90mmHg e 140x95mmHg, respectivamente. Sobre o manejo da pressão de Cecília, deve-se:
PA elevada reativa ao estresse sem lesão de órgão-alvo = pseudocrise hipertensiva.
A paciente apresenta uma elevação aguda da PA em contexto de estresse emocional, sem evidências de lesão de órgão-alvo. Isso caracteriza uma pseudocrise hipertensiva, que não requer tratamento imediato com anti-hipertensivos na emergência, mas sim acolhimento e reavaliação. No entanto, suas PAs anteriores (135x90 e 140x95) indicam hipertensão arterial que precisa de manejo a longo prazo.
A avaliação de uma pressão arterial (PA) elevada em consulta médica exige discernimento para diferenciar entre hipertensão arterial crônica, pseudocrise hipertensiva, urgência hipertensiva e emergência hipertensiva. A pseudocrise é uma elevação reativa da PA, muitas vezes desencadeada por dor, ansiedade ou estresse, sem evidência de lesão aguda de órgão-alvo. É crucial reconhecer este cenário para evitar tratamentos desnecessários e potencialmente perigosos. No caso da paciente, a PA de 185x100mmHg, embora alta, ocorreu em um contexto de intenso estresse emocional. A ausência de sintomas de lesão de órgão-alvo (como cefaleia intensa, alterações visuais, dor torácica, dispneia) sugere uma pseudocrise. As medidas anteriores de PA (135x90mmHg e 140x95mmHg) já indicavam hipertensão arterial estágio 1 ou 2, que necessita de manejo a longo prazo, mas não uma emergência imediata. O manejo adequado envolve primeiramente o acolhimento e a tranquilização da paciente, permitindo que ela se acalme e a PA possa ser reavaliada. Após a estabilização emocional e a confirmação de que não há lesão de órgão-alvo, a orientação para iniciar ou ajustar o tratamento anti-hipertensivo para a hipertensão crônica é a conduta correta. O encaminhamento para a UPA seria inadequado, pois não se trata de uma emergência hipertensiva, e apenas oferecer calmante sem abordar a hipertensão subjacente seria incompleto.
A pseudocrise hipertensiva é uma elevação aguda da PA, frequentemente reativa a dor ou estresse, sem evidência de lesão de órgão-alvo. A emergência hipertensiva, por outro lado, é uma elevação grave da PA associada a lesão aguda e progressiva de órgão-alvo (ex: encefalopatia, edema agudo de pulmão, dissecção aórtica), exigindo redução imediata da PA.
A conduta inicial para uma pseudocrise hipertensiva é o acolhimento do paciente, tranquilização, reavaliação da PA após um período de repouso e, se necessário, analgesia ou sedação leve. Não há necessidade de anti-hipertensivos endovenosos ou redução rápida da PA.
O tratamento anti-hipertensivo deve ser considerado quando as medidas de PA em diferentes ocasiões confirmam o diagnóstico de hipertensão arterial (geralmente ≥ 140/90 mmHg). No caso da paciente, suas PAs anteriores já indicavam hipertensão, e a crise atual reforça a necessidade de iniciar o tratamento.
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