INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
A mãe de um lactente, com 3 meses de idade, procura atendimento médico na Unidade Básica de Saúde porque ele não apresenta evacuações há dois dias. Não há outras queixas. Refere que o lactente está em aleitamento materno exclusivo e as evacuações têm ocorrido com intervalos de até três dias. Trata-se do seu primeiro filho e a mãe está muito preocupada. Ao exame físico, a criança encontra-se ativa, reativa, normocorada e hidratada. Apresenta frequência respiratória e cardíaca normais, ausculta pulmonar e cardíaca normais e palpação abdominal normal. Tendo em vista a queixa materna e o exame físico, a orientação adequada é:
Lactente em AME + sem evacuar + exame normal = Pseudoconstipação → Reassegurar família.
Em aleitamento materno exclusivo, a absorção de nutrientes é tão eficiente que o resíduo fecal pode ser mínimo, levando a intervalos longos entre evacuações sem representar patologia.
A pseudoconstipação do lactente é frequentemente motivo de ansiedade para pais de primeira viagem. O papel do médico na Atenção Básica é realizar um exame físico minucioso para descartar massas abdominais ou alterações anorretais e, em seguida, educar a família sobre a fisiologia do aleitamento materno. A conduta expectante é a mais adequada, evitando a iatrogenia de estimular o reflexo evacuatório com supositórios ou termômetros, o que pode interferir na maturação do reflexo de evacuação da criança. Clinicamente, a diferenciação entre constipação funcional e pseudoconstipação baseia-se na consistência das fezes e no estado geral da criança. Na pseudoconstipação, as fezes permanecem macias. O manejo envolve apenas a observação e o retorno se houver sinais de desconforto real ou mudanças no padrão de crescimento.
A pseudoconstipação do lactente é uma condição fisiológica comum em bebês alimentados exclusivamente com leite materno. Como o leite materno é altamente digerível e deixa pouco resíduo, o bebê pode passar vários dias (até 10-15 dias em alguns casos) sem evacuar. Desde que o bebê esteja ganhando peso, ativo, com abdome indolor e as fezes, quando saem, sejam pastosas ou líquidas, não há necessidade de intervenção médica ou medicamentosa.
A preocupação deve surgir se houver sinais de alerta como: vômitos biliosos, distensão abdominal importante, dor intensa ao tentar evacuar, fezes endurecidas (tipo cíbalos), atraso na eliminação de mecônio (após 48h de vida) ou baixo ganho de peso. Nesses casos, deve-se investigar causas orgânicas como Doença de Hirschsprung ou hipotireoidismo congênito.
Não. Para lactentes menores de 6 meses em aleitamento materno exclusivo, não se deve oferecer água, chás ou qualquer outro alimento. O leite materno contém toda a água necessária para a hidratação. A introdução precoce de outros líquidos aumenta o risco de infecções gastrointestinais e desmame precoce, além de não resolver a questão da frequência evacuatória fisiológica.
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