UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2020
Marina leva seu filho Pablo de 4 meses para consulta de puericultura. Ela está amamentando e oferece apenas água nos intervalos. A mãe está preocupada, pois seu filho está evacuando uma vez a cada 5 dias, fezes pastosas amolecidas e amarelas. Outra preocupação é que ele ainda não balbucia sons bilabiais (mã, pã). Ao exame físico a estatura encontra-se no escore zero e o peso entre o zero e menos 2 (0 a -2). Nota-se na região perineal, placas eritematosas, com pápulas confluentes, bordas demarcada, acometendo escroto e pregas inguinais. Nota-se a presença de lesões satélites. Na avaliação do desenvolvimento, Pablo quando colocado em decúbito ventral levanta a cintura escapular, apoiado no antebraço, brinca com as mãos e grita. A criança apresenta reflexo de Moro incompleto e a marcha reflexa está presente. A orientação adequada em relação ao hábito intestinal e à alimentação do bebê deve ser:
Lactente em AME + fezes amolecidas/espaçadas = Pseudoconstipação (fisiológico). Não use água ou laxantes.
O aleitamento materno exclusivo supre todas as necessidades hídricas até os 6 meses; a pseudoconstipação é comum pela alta absorção do leite materno.
A questão aborda múltiplos aspectos da puericultura no primeiro semestre de vida. Do ponto de vista nutricional, reforça-se o conceito de que o aleitamento materno exclusivo (AME) é autossuficiente até o sexto mês, invalidando a oferta de água ou sucos. A pseudoconstipação é um fenômeno esperado e não deve ser tratada com laxantes, pois reflete a eficiência da digestão do leite humano. No desenvolvimento neuropsicomotor, aos 4 meses, espera-se que o lactente sustente a cabeça, apoie-se nos antebraços em decúbito ventral e inicie a interação social com gritos e risos, embora sons bilabiais específicos surjam um pouco mais tarde. A persistência da marcha reflexa aos 4 meses e o Moro incompleto sugerem a necessidade de vigilância, pois reflexos primitivos devem desaparecer gradualmente para dar lugar aos movimentos voluntários. Por fim, a descrição dermatológica é clássica para candidíase perineal, exigindo tratamento específico além dos cuidados de barreira.
A pseudoconstipação do lactente é uma condição fisiológica comum em bebês alimentados exclusivamente com leite materno, geralmente a partir do segundo mês de vida. Caracteriza-se por um aumento no intervalo entre as evacuações, que podem ocorrer a cada 5, 7 ou até 10 dias. O fator determinante para diferenciá-la da constipação orgânica é a consistência das fezes, que permanecem pastosas ou semilíquidas, e a ausência de sinais de alerta como distensão abdominal importante, vômitos ou dor intensa ao evacuar. Isso ocorre porque o leite materno é quase totalmente absorvido pelo organismo do bebê, deixando pouco resíduo para a formação do bolo fecal. O tratamento consiste apenas em orientar a família sobre a normalidade do quadro, sem necessidade de intervenções farmacológicas ou dietéticas.
A Organização Mundial da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade. O leite materno contém cerca de 88% de água, além de todos os nutrientes, anticorpos e sais minerais necessários para a hidratação e nutrição perfeita do lactente, mesmo em climas quentes e secos. A introdução precoce de água, chás ou sucos aumenta o risco de contaminação bacteriana, diarreia e desnutrição, além de interferir na dinâmica da amamentação, podendo levar ao desmame precoce por confusão de bicos ou redução da produção láctea materna. Portanto, a oferta de qualquer outro líquido antes dos 6 meses é desnecessária e potencialmente prejudicial ao desenvolvimento da criança.
A dermatite de fraldas complicada por Candida albicans apresenta características clínicas distintas da dermatite de contato por irritante primário. Na candidíase, as placas eritematosas são intensamente vermelhas, brilhantes e apresentam bordas bem demarcadas que frequentemente envolvem as pregas inguinais (diferente da dermatite de contato, que costuma poupar as pregas). O sinal patognomônico é a presença de lesões satélites, que são pequenas pápulas ou pústulas eritematosas localizadas na periferia da lesão principal. O tratamento requer o uso de antifúngicos tópicos, como nistatina ou cetoconazol, além de medidas de higiene como trocas frequentes de fraldas e períodos de exposição da pele ao ar para reduzir a umidade local.
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